A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio durante o primeiro interrogatório oficial após sua prisão preventiva, na terça-feira (27), na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. De acordo com a defesa da detida, a estratégia foi adotada para preservar sua posição diante das investigações da Operação Vérnix, que apura suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de apostas esportivas.
Estratégia da defesa e interrogatório
A advogada da influenciadora informou, por meio de nota, que Deolane “optou pelo direito constitucional de permanecer em silêncio absoluto durante o seu primeiro interrogatório oficial”. A decisão, segundo a defesa, foi tomada com base na “orientação direta de sua equipe de defesa”, que entendeu que o momento ainda não é oportuno para prestar esclarecimentos. O procedimento ocorreu na própria unidade prisional, sem a presença de juiz, apenas com os advogados constituídos e a autoridade policial responsável pelo inquérito.
O silêncio da acusada não configura obstrução de Justiça e é garantido pela Constituição Federal e pelo Código de Processo Penal. A defesa evitou comentar os detalhes da acusação, limitando-se a afirmar que todas as medidas serão adotadas no momento processual adequado.
Recentes movimentações judiciais
A prisão preventiva de Deolane foi decretada no âmbito da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de apostas ilegais e lavagem de dinheiro. No entanto, na última quinta-feira (22), a Justiça de São Paulo anulou a investigação estadual e transferiu o caso para a Polícia Federal, após a defesa alegar que o Juízo competente seria a Justiça Federal. A decisão, assinada pelo juiz da Vara de Investigações Criminais, acatou o argumento de que a suspeita de evasão de divisas e a atuação interestadual das plataformas de apostas atraem a competência da PF.
Com isso, a continuidade das apurações passou a ser coordenada pela Superintendência da PF em São Paulo, que deverá reanalisar todos os elementos de prova colhidos até o momento. A defesa de Deolane sustenta que a prisão preventiva perdeu fundamentação e que pedirá a revogação da medida, agora que o caso está sob nova condução.
Condições na Penitenciária de Tupi Paulista
Transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista no último dia 22, Deolane ocupa uma cela diferenciada, direito garantido pela Lei de Execução Penal para detentas com curso superior. O espaço tem aproximadamente 9 metros quadrados e é dividido com outra presa. Segundo a administração penitenciária, a cela dispõe de cama beliche, ventilador e chuveiro, e a influenciadora recebe três refeições diárias.
Diferentemente do que ocorre com a maioria das presas recém-chegadas, Deolane não passou pelo período de isolamento de 10 a 30 dias, pois a unidade entende que sua condição de saúde e o perfil não exigem a medida. Até o momento, não há registro de visitas familiares cadastradas, e ela não tem acesso a televisão — item que só é liberado mediante autorização e bom comportamento.
Fontes da penitenciária negaram que haja qualquer tipo de regalia especial. “Apenas o previsto em lei para quem tem diploma de nível superior”, afirmou um funcionário, sob condição de anonimato, reiterando que a detenta segue a rotina comum da unidade, incluindo banho de sol e atividades permitidas.
As cifras da investigação
A Operação Vérnix aponta a existência de um esquema bilionário de apostas, conforme informações do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e análise de movimentações financeiras. De acordo com a apuração da Polícia Civil — agora sob revisão da PF —, Deolane teria movimentado R$ 5,3 milhões em um único mês, valor que contrasta com sua renda declarada como advogada e com os ganhos de publicidade como influenciadora.
Os investigadores suspeitam que o dinheiro tenha origem em jogos ilegais on-line, mas a defesa nega irregularidades e afirma que a cliente sempre exerceu atividade lícita. O caso segue sob segredo de Justiça, e a previsão é que a Polícia Federal ouça outras testemunhas e analise documentos bancários antes de eventual oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal.
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