Japão e Mercosul darão início, em junho de 2026, às negociações formais de um acordo de parceria econômica que pode baratear a importação de automóveis e autopeças japoneses no bloco sul-americano. Em contrapartida, Tóquio busca ampliar o acesso a petróleo e minerais críticos brasileiros, reduzindo a dependência energética do Oriente Médio e da China. A informação foi confirmada pelo Valor Econômico com base em fontes diplomáticas, e consta em nota do Itamaraty divulgada após o marco da parceria estratégica firmada no início de 2025.
O movimento ganhou tração depois que o acordo entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor, em maio de 2026, pressionando outros parceiros comerciais a não perder espaço no mercado sul-americano. “A relação Brasil-Japão ganha nova dimensão”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março de 2025, ao anunciar a intenção de negociar o entendimento durante a presidência brasileira do bloco.
A nota conjunta da I Reunião da Parceria Estratégica Japão-Mercosul, realizada em janeiro de 2025 em Assunção, já indicava o compromisso mútuo: “A parceria estratégica estabelecida entre o Japão e o Mercosul reforça o compromisso mútuo com o desenvolvimento econômico da região e abre caminho para uma cooperação mais profunda em setores como comércio, investimentos e energia”.
Motivações de Tóquio e Brasília
Do lado japonês, o interesse é duplo: garantir segurança energética — hoje o país importa cerca de 90% do petróleo que consome do Oriente Médio — e ampliar a participação de mercado para suas montadoras. Toyota, Honda e Nissan são as principais beneficiárias potenciais da eventual eliminação ou redução do imposto de importação, que atualmente encarece os veículos produzidos no Japão e exportados para o Mercosul.
Já o Mercosul, liderado pelo Brasil, vê no acordo uma oportunidade de ampliar exportações agrícolas, abrir mercado para a Embraer e diversificar parcerias estratégicas, evitando ficar refém apenas da União Europeia. Outro ponto central para o governo brasileiro é a oferta de minerais críticos — como nióbio e grafita — essenciais para a indústria tecnológica e automotiva japonesa.
Cronologia das negociações
- Janeiro de 2025: Primeiro encontro formal da Parceria Estratégica Japão-Mercosul em Assunção, Paraguai.
- Março de 2025: Lula anuncia, em visita ao Japão, a intenção de avançar em um acordo de livre comércio bilateral, aproveitando a presidência rotativa brasileira do bloco.
- Setembro de 2025: Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI) reforçam diálogo técnico.
- Maio de 2026: Acordo Mercosul-União Europeia entra em vigor, acelerando as tratativas com os japoneses.
- Junho de 2026: Previsão de início das rodadas oficiais de negociação, com possibilidade de um encontro de cúpula no segundo semestre.
Impacto no mercado automotivo
Caso o acordo seja firmado, a expectativa é de que carros e autopeças japoneses possam chegar ao consumidor brasileiro com preços mais competitivos. Atualmente, veículos importados de fora do Mercosul pagam tarifas que variam entre 2% e 35%, dependendo da categoria. A redução desses tributos poderia reaquecer a disputa em segmentos dominados por marcas europeias e americanas. As montadoras japonesas consultadas (Toyota, Honda e Nissan) ainda não emitiram posicionamento oficial sobre as negociações.
O PIRANOT acompanha o tema desde o início da parceria estratégica Japão-Mercosul, em janeiro de 2025, e mantém acervo com análises sobre acordos comerciais e seus reflexos no setor automobilístico.
Com informações do Valor Econômico, Ministério das Relações Exteriores, Planalto e MDIC.











