O futuro do acordo bilateral que regula o fornecimento de terras raras entre Estados Unidos e China será decidido em cúpula de alto risco em Pequim, entre 13 e 15 de maio. O pacto expirou em 2026 e sua renovação é crucial para evitar um choque de custos em eletrônicos, carros elétricos e equipamentos militares. A China controla mais de 60% da produção global desses minerais, segundo dados do Serviço Geológico dos EUA (USGS).
A reunião entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, ocorre em meio a restrições chinesas à exportação de terras raras. Essas medidas já provocaram reações do governo americano e abriram espaço para fornecedores alternativos. A pauta inclui ainda guerra comercial, Irã, Taiwan e inteligência artificial, conforme apuração do Valor Econômico.
O impasse chega num momento de fragilidade política para Trump, que enfrenta desgaste interno após medidas tarifárias impopulares. O Financial Times avaliou que Trump chega enfraquecido à corte de Xi. Apesar disso, autoridades americanas sinalizam otimismo cauteloso.
A dependência americana e o risco de ruptura
Os Estados Unidos importam cerca de 70% das terras raras que consomem diretamente da China, de acordo com o USGS. Esses 17 elementos são insubstituíveis na fabricação de ímãs de alto desempenho, usados em turbinas eólicas, mísseis teleguiados e motores de veículos elétricos. A dependência coloca em risco cadeias de suprimentos estratégicas.
A China ainda não confirmou publicamente a extensão do acordo, cujo vencimento está previsto para este ano. A indefinição mantém o mercado global em alerta, com potenciais reflexos nos preços ao consumidor. Um porta-voz do Departamento de Comércio americano afirmou que o país trabalha para garantir que o fluxo de terras raras não seja interrompido, conforme divulgado pela CNN Brasil.
A declaração busca acalmar investidores, mas analistas apontam que mesmo uma renovação temporária não elimina a vulnerabilidade estrutural. O governo Trump tenta evitar um colapso no abastecimento que poderia elevar os custos de produção de itens como smartphones e turbinas eólicas.
O Brasil como alternativa estratégica
As restrições impostas pela China à exportação de terras raras em 2025 expuseram a fragilidade das cadeias globais de suprimento, segundo a BBC Brasil. A medida chinesa acelerou a busca por fontes alternativas, e o Brasil surge como peça-chave nesse rearranjo. Dados do USGS indicam que o país possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, atrás apenas da China.
Apesar desse potencial, a produção brasileira ainda é incipiente. O governo brasileiro já discute formas de reduzir a dependência chinesa no setor, conforme reportagem da Exame, que cita iniciativas para ampliar a exploração e o processamento local. Em evento do setor, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o Brasil tem uma oportunidade histórica de se posicionar como fornecedor confiável de minerais críticos para o Ocidente.
A declaração, reproduzida pela BBC Brasil, reflete a estratégia de atrair capital estrangeiro. Caso as negociações entre Trump e Xi fracassem, o país pode se beneficiar da fragmentação das cadeias, mas enfrentará o desafio de desenvolver tecnologia para refino, etapa ainda dominada pelos chineses. A disputa comercial, portanto, pode redefinir o mapa geopolítico dos minerais estratégicos.
❓ Perguntas frequentes
O que são terras raras e por que são tão importantes?
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados em tecnologias como smartphones, turbinas eólicas, veículos elétricos e equipamentos militares. A China controla mais de 60% da produção global, o que gera dependência estratégica de outros países.
Como o fim do acordo EUA-China afetaria o consumidor brasileiro?
O rompimento poderia elevar os custos de produção de eletrônicos e veículos elétricos, pressionando os preços finais ao consumidor. O Brasil, porém, pode se beneficiar como fornecedor alternativo, atraindo investimentos para explorar suas grandes reservas.
O Brasil pode substituir a China no fornecimento de terras raras?
O Brasil tem a segunda maior reserva mundial, mas a produção ainda é pequena e falta tecnologia para refino. O governo busca acelerar investimentos para se tornar um fornecedor confiável para o Ocidente, mas o processo levará anos.
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