O ex-zagueiro Dedé gerou polêmica ao comentar a agressão do atacante Neymar ao jovem Robinho Jr., de 18 anos, durante um treino do Santos em 3 de maio. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o ex-jogador classificou o episódio como “normal” no ambiente do futebol e revelou uma briga não divulgada ocorrida no Cruzeiro em 2013, envolvendo ele próprio e um companheiro de time. A fala de Dedé contrasta com a gravidade do caso, que já resultou em notificação extrajudicial ao clube e investigação interna.
O incidente no CT Rei Pelé teve início com uma disputa de bola entre Neymar, de 34 anos, e Robinho Jr., revelação da base santista. Segundo relatos, Neymar proferiu “xingamentos de maneira ofensiva”, aplicou uma rasteira e desferiu “um tapa violento no rosto” do jovem atacante. A informação foi confirmada por múltiplas fontes, incluindo os representantes de Robinho Jr. e a imprensa esportiva. Após o ocorrido, Neymar pediu desculpas publicamente: “Eu me excedi na reação”, declarou o camisa 10, que também afirmou que o assunto estava “resolvido” após conversas com a família do jovem.
No entanto, em 4 de maio, os representantes de Robinho Jr. protocolaram uma notificação extrajudicial no Santos, cobrando investigação formal, acesso às imagens do treino, manifestação oficial do clube e uma reunião para discutir possível rescisão contratual. A ação surpreendeu a diretoria santista, que acreditava na solução amigável. “Se eles querem um pedido de desculpas, pera aí, eu já pedi desculpas”, reagiu Neymar, em tom de incredulidade, conforme registrado pelo portal R7.
A fala de Dedé e a cultura da violência no futebol
Dedé, que atuou por Vasco, Cruzeiro e seleção brasileira, entrou no debate com um vídeo em que minimiza a agressão. “Isso aí é normal no futebol, gente. O estresse do dia a dia, a hierarquia entre os mais velhos e os mais novos… sempre teve isso”, afirmou o ex-zagueiro. Para reforçar seu argumento, ele revelou um episódio ocorrido no Cruzeiro em 2013: “Lá no Cruzeiro mesmo, eu e um companheiro saímos na mão num treino. E ninguém ficou sabendo. Depois a gente saiu pra jantar junto. É assim que funciona”.
A declaração de Dedé expõe uma cultura de banalização da violência no esporte, tratando agressões físicas como parte da dinâmica de grupo. Especialistas em psicologia do esporte alertam que tal postura pode normalizar comportamentos abusivos e dificultar a denúncia por atletas mais jovens. O Observatório da Discriminação Racial no Futebol, que monitora casos de violência e discriminação na modalidade, já classificou esse tipo de discurso como “parte de um sistema que protege os agressores e silencia as vítimas”.
Impacto jurídico e precedentes no futebol brasileiro
A agressão de Neymar e a reação de Dedé ocorrem em um momento de crescente escrutínio sobre a conduta de atletas profissionais. O Santos abriu um processo interno para apurar o caso, mas a notificação extrajudicial eleva a questão a um patamar jurídico. O clube pode ser responsabilizado por omissão caso não tome medidas efetivas. Além disso, a imagem de Neymar, já desgastada por polêmicas anteriores, sofre novo abalo, especialmente no mercado internacional, onde o jogador ainda possui contratos publicitários.
A revelação de Dedé sobre a briga no Cruzeiro também levanta questões sobre a transparência dos clubes. Se o episódio de 2013 foi abafado, quantos outros casos de violência entre jogadores permanecem ocultos? A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) não se manifestaram sobre o caso até o momento, mas a procuradoria do STJD já indeferiu pedidos de liminar em situações semelhantes no passado, conforme registros oficiais.
Enquanto isso, Robinho Jr. e Neymar foram vistos se abraçando em campo após um gol do Santos, em uma tentativa de mostrar união. Contudo, a notificação extrajudicial mantém a tensão nos bastidores. O desfecho do caso poderá estabelecer um precedente importante para o tratamento de conflitos internos no futebol brasileiro, em um momento em que a sociedade cobra maior responsabilização de ídolos e instituições esportivas.











