A CVC Corp negou ter recebido qualquer proposta formal de aquisição, mas o rumor de que a Despegar — controlada pela Prosus, dona do iFood — preparava uma oferta pública expôs a fragilidade financeira da maior operadora de turismo do Brasil. As ações da companhia acumulam queda de cerca de 90% em cinco anos, cotadas a R$ 1,93, refletindo endividamento elevado e queima de caixa recorrente.
O boato surgiu em meio a um movimento de consolidação no turismo online latino-americano. Em março, a Prosus concluiu a compra da Decolar por US$ 1,7 bilhão, operação aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sem restrições.
A aquisição sinalizou o apetite do grupo holandês pelo setor, mas a CVC, com resultados pressionados e sucessivas renegociações de dívida, é um alvo mais complexo. Analistas apontam que a falta de uma oferta formal não elimina a possibilidade de negociações preliminares.
O rumor que incendiou o mercado de turismo
A coluna de Lauro Jardim em O Globo, ao noticiar que a Despegar preparava uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar a CVC Corp, provocou reação imediata no mercado. A B3 registrou forte oscilação dos papéis da CVC nos dias seguintes, com picos de volume atípicos.
Em fato relevante divulgado em 3 de maio de 2026, a CVC afirmou que “não recebeu, até a presente data, qualquer proposta formal acerca de uma eventual oferta pública de aquisição de ações de sua emissão” (CVC Corp, Fato Relevante). A negativa, no entanto, não dissipou as dúvidas sobre a real situação financeira da empresa.
Para acionistas minoritários, a incerteza é o maior risco. Dados do mercado mostram que os papéis CVCB3 chegaram a oscilar mais de 10% após o rumor, refletindo o nervosismo dos investidores.
A resposta oficial e as entrelinhas do comunicado
A manifestação da CVC veio após rumores de que a Despegar — controlada pela Prosus — preparava uma oferta pela operadora de turismo. “A companhia esclarece que não recebeu, até a presente data, qualquer comunicação ou proposta acerca de eventual oferta pública de aquisição de suas ações”, afirmou a CVC no documento arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Apesar da negativa, o mercado segue atento a movimentações societárias. A CVC anunciou recentemente um acordo entre acionistas e mudanças em seu conselho de administração, sinalizando possíveis rearranjos de controle.
Analistas avaliam que o rumor de aquisição expôs tanto a vulnerabilidade da companhia quanto o apetite estratégico da Prosus na América Latina, onde já controla ativos como iFood e Decolar. A dívida elevada e a queima de caixa recorrente mantêm a CVC dependente de um comprador estratégico.
Impactos para consumidor e setor
A eventual compra da CVC Corp pela Despegar mexeria com a concentração do mercado de viagens online no Brasil. A operação uniria duas das maiores plataformas do setor, com potencial para reduzir a concorrência e impactar preços e opções ao consumidor.
“Uma fusão desse porte altera a dinâmica competitiva, especialmente no segmento de pacotes turísticos”, avalia fonte do setor. Para os consumidores, a consolidação poderia significar menos alternativas de pacotes e possível aumento de tarifas.
Enquanto não houver definição, investidores e clientes seguem sem respostas concretas. A CVC afirmou que “desconhece movimentações” nesse sentido, mas a reação do mercado evidencia a fragilidade financeira da empresa, que acumula prejuízos recentes. A baixa liquidez das ações amplia a volatilidade e mantém o setor em alerta.











