O Banco do Brasil informou nesta sexta-feira (24) que liberou R$ 650,9 milhões pelo Move Brasil a motoristas de aplicativo e taxistas em 778 municípios brasileiros.
O dado mostra a escala já alcançada pela linha federal de crédito para renovação de veículos, mas deixa sem resposta dois pontos centrais para avaliar o risco: inadimplência da carteira e volume de recursos públicos usados como garantia.
Segundo o Banco do Brasil, mais de 6 mil motoristas tiveram propostas aprovadas no programa, com valor médio de R$ 108,1 mil por empréstimo. A presidente do banco, Tarciana Medeiros, afirmou que os resultados refletem a evolução do portfólio de crédito da instituição.
Move Brasil chega a R$ 1 bilhão em financiamentos
O Move Brasil foi criado pelo governo federal para facilitar a renovação da frota de motoristas autônomos de transporte individual de passageiros, usando garantias públicas do Fundo Garantidor para Investimentos do Programa Emergencial de Acesso a Crédito, o FGI-PEAC.
Em 17 de julho de 2026, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social informou que o Move Brasil havia superado R$ 1 bilhão em financiamentos de veículos para motoristas de aplicativo e taxistas. Nesta sexta-feira, o Banco do Brasil detalhou sua carteira de R$ 650,9 milhões dentro desse total.
Os números informados pelo BB incluem R$ 41,4 milhões em crédito contratado por mulheres. Para esse público, a taxa informada foi de 0,91% ao mês. O valor médio geral do programa aparece em R$ 102 mil, enquanto a carteira do Banco do Brasil tem tíquete médio de R$ 108,1 mil.
A cobertura do PIRANOT já acompanhou outras frentes de crédito com participação pública em 2026, como a aprovação, pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, do reajuste dos limites do microcrédito enviado à Câmara.
Crédito alcança frota, bancos e contribuinte
Para motoristas de aplicativo e taxistas, o efeito direto do Move Brasil está no acesso ao financiamento de veículos. A linha atende uma categoria que, conforme o desenho do programa, enfrenta dificuldade de comprovação de renda em bancos privados.
Para o mercado de crédito, a carteira do Banco do Brasil concentra R$ 650,9 milhões dos financiamentos já anunciados no Move Brasil. A presença do BNDES como gestor de repasses e garantias indica que a expansão da linha depende também do funcionamento do FGI-PEAC.
Para o contribuinte, o ponto sensível está nas garantias públicas associadas ao programa. O Banco do Brasil divulgou valores contratados, municípios alcançados e número de motoristas atendidos, mas não informou a taxa de inadimplência específica dessa carteira nem o volume de recursos públicos empenhados como garantia.
Procurado sobre inadimplência específica da linha e volume de garantias públicas usadas pelo FGI-PEAC, o Banco do Brasil não informou esses dados até o fechamento. Sem esses números, não é possível medir o custo fiscal potencial do programa.
Banco detalha carteira; dados de risco seguem pendentes
O encaminhamento confirmado nesta sexta-feira é a divulgação, pelo Banco do Brasil, da carteira de R$ 650,9 milhões, com mais de 6 mil motoristas contemplados e propostas aprovadas em 778 municípios.
Os próximos dados necessários para avaliar a linha são a inadimplência específica do Move Brasil e o valor de garantias públicas efetivamente comprometido pelo FGI-PEAC. Esses indicadores ainda dependem de divulgação oficial.












