O historiador britânico Niall Ferguson alertou, em 23 de julho de 2026, que a guerra entre Estados Unidos e Irã pode desencadear uma nova crise de dívida na América Latina caso o conflito se prolongue. A declaração foi feita durante o primeiro dia da Expert XP 2026, em São Paulo.
Com o Estreito de Ormuz bloqueado e o barril de petróleo próximo de US$ 100, Ferguson classificou o confronto como a “Terceira Guerra do Golfo” e afirmou que o Brasil, já com uma das taxas de juros reais mais altas do mundo, recebe um “choque adicional” de inflação global. “Não é apenas o fornecimento de fertilizantes que é afetado. Não somente a indústria petroquímica da Ásia é afetada. A economia global também é afetada”, afirmou.
O alerta pesa sobre uma economia já pressionada por juros altos e risco fiscal. Em 2026, o Banco Central mantém a Selic em patamar restritivo para conter a inflação, enquanto o governo federal busca preservar a meta fiscal. A combinação de petróleo caro, crescimento baixo e custo elevado de financiamento aumenta a pressão sobre a dívida pública, ainda que o Brasil não enfrente uma crise iminente de solvência.
O paralelo com crises de dívida
Ferguson traçou um paralelo com crises de dívida latino-americanas, quando juros externos mais altos e choques globais dificultaram o pagamento de compromissos da região. “Não são só o mercado de fertilizantes ou as companhias petrolíferas da Ásia, tudo é afetado, o Brasil, o mercado de ações, títulos de dívida do mundo inteiro”, disse.
O conflito no Oriente Médio também ampliou a tensão política nos Estados Unidos. Em 20 de maio de 2026, o PIRANOT mostrou que avançou no Senado americano uma medida para limitar os poderes de guerra do presidente Donald Trump contra o Irã. A iniciativa refletiu a incerteza sobre a duração do embate e seus efeitos sobre os mercados globais.
Juros, inflação e o risco fiscal brasileiro
O Brasil entrou em 2026 com a Selic em patamar restritivo, reflexo da persistência inflacionária. A alta do petróleo tende a pressionar combustíveis e alimentos, elevar expectativas de inflação e reduzir o espaço para cortes de juros. “O Brasil já tem uma das taxas de juros reais mais altas do mundo e está recebendo um choque adicional devido à extensão da guerra e do impacto da inflação global”, reforçou Ferguson.
A consequência prática é que a trajetória do petróleo e a duração do conflito no Irã passam a pesar diretamente nas decisões sobre juros, inflação e contas públicas no Brasil. Se o choque externo persistir, o país terá menos margem para aliviar a política monetária sem aumentar o risco fiscal.












