A Simpar (SIMH3) anunciou a venda da totalidade da CS Porto Aratu, terminal de granéis sólidos na Bahia, para a ICTSI Americas por R$ 1,8 bilhão em valor de empresa (enterprise value).
A transação, divulgada em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), prevê um valor de patrimônio líquido (equity value) de R$ 750 milhões, além da transferência de R$ 1 bilhão em dívida líquida referente ao primeiro trimestre de 2026.
Do equity value, R$ 650 milhões serão pagos no fechamento da operação, e os R$ 100 milhões restantes ficarão condicionados a metas de desempenho (earn-out) ao longo de 18 meses. A conclusão do negócio ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Venda reforça foco em desalavancagem
A operação se insere na estratégia da holding de reduzir sua alavancagem e concentrar recursos em negócios principais, como JSL, Vamos e Movida. Com a transferência de R$ 1 bilhão em dívidas, a Simpar reduz a exposição ao ativo portuário e reforça o discurso de desalavancagem diante do mercado.
Em 2 de junho de 2026, a Fitch confirmou as notas de crédito da Simpar e de suas controladas com perspectiva estável, citando a expectativa de redução gradual da alavancagem. A venda do terminal portuário, tratado pela companhia como ativo não essencial, reforça esse compromisso.
Terminal é ativo de granéis no porto de Aratu
Localizada em Candeias, no complexo portuário de Aratu, a CS Porto Aratu atua na movimentação de granéis sólidos, segmento ligado ao escoamento de commodities. A entrada da ICTSI Americas coloca um investidor estrangeiro em um ativo de infraestrutura logística na Bahia.
A venda ocorre em um momento de reconfiguração do setor portuário. Em 2 de julho de 2026, o PIRANOT mostrou o embate entre a Antaq e a Casa Civil sobre o modelo de leilão do Tecon Santos 10, discussão que evidenciou a atenção regulatória sobre concessões portuárias.
Cade e Antaq ainda precisam aprovar a transação
O fechamento da transação está sujeito à análise do Cade e da Antaq, que avaliarão aspectos concorrenciais e a adequação dos contratos portuários. A etapa regulatória é o próximo ponto decisivo para que a Simpar conclua a venda e reconheça o efeito financeiro da operação.












