As ações da Tesla e da Alphabet, dona do Google, despencaram nesta quinta-feira (23) na Bolsa de Nova York, eliminando cerca de US$ 433 bilhões em valor de mercado, após os balanços do segundo trimestre revelarem uma escalada nos gastos com inteligência artificial. Os papéis da Tesla recuavam mais de 13%, enquanto os da Alphabet caíam ao menos 6% no pregão.
O tombo reflete a crescente impaciência de Wall Street com os investimentos bilionários das big techs em IA, que ainda não se traduziram em receitas proporcionais. A Alphabet registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 5,86 bilhões no trimestre, pressionado pelo aumento de despesas com infraestrutura de computação. Já a Tesla reportou investimentos (capex) de US$ 5,79 bilhões, boa parte direcionada a data centers e ao desenvolvimento de robotáxis.
A reação do mercado ocorre um dia após a divulgação dos resultados financeiros. A Alphabet já havia sinalizado a escalada de gastos em junho, em meio à corrida para financiar infraestrutura de IA. Agora, a companhia projeta investir entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões ao longo de 2026, valor que supera as estimativas anteriores e acendeu o alerta de analistas.
Conta da IA pesa no caixa e muda o humor de Wall Street
O otimismo com a inteligência artificial inflou as avaliações das gigantes de tecnologia em 2024 e 2025, mas 2026 trouxe uma virada: investidores passaram a cobrar resultados práticos. A Tesla, que iniciou testes de robotáxis em Austin em junho de 2025, ainda não transformou a promessa em receita recorrente. Enquanto isso, a Alphabet apresentou lucro contábil elevado, influenciado por um ganho não recorrente, mas viu o fluxo de caixa livre ficar negativo.
O movimento de vendas se espalhou por outras empresas de tecnologia e pressionou índices acionários. Estimativas de mercado indicam que a perda conjunta de valor de mercado de Tesla e Alphabet chegou a cerca de US$ 433 bilhões, um dos maiores episódios recentes de destruição de riqueza do setor em um único dia.
Efeito cascata atinge B3 e pressiona fundos brasileiros
A aversão ao risco cruzou fronteiras e pressionou a B3. Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) de Alphabet e Tesla operavam em forte queda, acompanhando o mau humor externo. O Ibovespa também recuava, refletindo o temor de que a correção das big techs contamine outros mercados.
O episódio amplia a cautela de investidores estrangeiros com ativos brasileiros. A nova onda de incerteza aumenta a pressão sobre ações ligadas ao ciclo global de tecnologia e pode reduzir o apetite por risco em mercados emergentes.
Executivos mantêm aposta de longo prazo, mas mercado cobra retorno imediato
As duas companhias não deram sinais de que vão pisar no freio. A Alphabet reafirmou que os investimentos em IA são essenciais para manter a liderança em busca e computação em nuvem. A Tesla, por sua vez, continua apostando em direção autônoma e robotáxis como motores de crescimento futuro. O problema, segundo analistas, é o descompasso entre a visão de longo prazo dos executivos e a exigência de retorno imediato dos acionistas.
O próximo teste para o setor virá nos balanços das demais big techs: se o aumento de capex se repetir, Wall Street deve ampliar a cobrança por metas mais claras de retorno financeiro da inteligência artificial.












