O petróleo Brent voltou a rondar a marca de US$ 90 por barril na manhã desta terça-feira (21), um patamar que recoloca combustíveis, frete e inflação no radar do mercado brasileiro.
A alta devolve pressão à Petrobras depois de uma sequência recente de alívio nas cotações. No fim de junho, o Brent havia recuado para perto de US$ 75 com a retomada do fluxo em Ormuz; no início de julho, voltou a se aproximar de US$ 70 em meio ao aumento de oferta internacional.
Esse intervalo mais baixo sustentou a expectativa de algum alívio no diesel, mas o corte não chegou às bombas. Agora, com o barril novamente na casa dos US$ 90, a discussão muda de direção: a defasagem em relação ao mercado externo tende a aumentar a cobrança por reajustes nas refinarias.
Diesel volta ao centro da conta
O diesel é o combustível mais sensível para a economia brasileira porque abastece a maior parte do transporte de cargas. Quando o petróleo sobe e a pressão chega às refinarias, o impacto pode aparecer no frete e, depois, nos preços de alimentos, produtos industriais e serviços de distribuição.
A Petrobras vinha lidando, desde 1º de julho, com um cenário de petróleo mais próximo de US$ 75. A mudança de patamar encurta a margem para manter preços domésticos sem repasse, especialmente se a cotação permanecer elevada por mais dias.
O movimento também reacende a leitura de risco para a inflação. O petróleo mais caro afeta diretamente combustíveis e, indiretamente, custos logísticos. Por isso, a cotação do Brent entra na conta de investidores que acompanham a trajetória do IPCA e as próximas decisões do Copom.
Oriente Médio mantém prêmio de risco
A tensão no Oriente Médio segue como o principal fator de risco para o mercado de energia. O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento de petróleo, voltou ao centro das atenções nas últimas semanas e ajudou a ampliar a volatilidade do barril.
No Brasil, a taxação de 12% sobre a exportação de petróleo, mantida pela Camex por 60 dias em 9 de julho, também pesa no cálculo das empresas ao alterar a atratividade das vendas externas e a formação de preços no mercado interno.
O próximo sinal relevante virá da persistência, ou não, do Brent acima de US$ 90. Se a cotação se firmar nesse nível, a pressão sobre a política de preços da Petrobras cresce; se o mercado voltar a aliviar, o debate sobre reajuste perde força no curto prazo.









