O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que as exportações brasileiras para a União Europeia cresceram R$ 10 bilhões nos dois primeiros meses de vigência provisória do acordo Mercosul-UE. Segundo ele, o avanço equivale a uma alta de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A declaração entra no centro da estratégia comercial do governo em meio ao tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A nova tarifa americana de 25% atinge uma cesta que somou US$ 11 bilhões em exportações do Brasil, de acordo com a Câmara Americana de Comércio.
Alckmin apresentou o resultado como sinal de que o país consegue abrir mercados enquanto enfrenta barreiras nos EUA. “Quem aposta contra o Brasil sai no prejuízo”, escreveu o vice-presidente ao divulgar os números.
Europa ganha peso na rota comercial do Brasil
O acordo Mercosul-UE entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026, depois de 25 anos de negociação. A cifra citada por Alckmin reforça a aposta do governo em reduzir a exposição do país ao mercado americano e ampliar a presença brasileira no bloco europeu.
Esse movimento já aparecia na balança comercial do primeiro semestre: a fatia dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu para 9,8%, o menor patamar desde 1997, enquanto a participação da União Europeia subiu para 14,2%.
A comparação, porém, ainda não mostra sozinha quanto do ganho veio diretamente do acordo. O número divulgado por Alckmin está em reais e não veio acompanhado de abertura por setor, nem de cálculo que separe o efeito de câmbio, preço e sazonalidade das vendas externas.
Tarifa dos EUA pressiona setores exportadores
O contraste com os Estados Unidos é o ponto sensível da disputa. A tarifa de 25% anunciada pelo governo Trump incide sobre produtos brasileiros que movimentaram US$ 11 bilhões em vendas ao mercado americano. No setor de plásticos, a perda projetada chega a US$ 2 bilhões.
O agronegócio também acompanha a mudança de cenário depois de registrar exportações recordes de US$ 16,65 bilhões em abril. O setor tem peso decisivo na pauta comercial brasileira e tende a ser um dos termômetros do impacto das barreiras americanas.
Para amortecer o choque, o governo anunciou uma linha de crédito de R$ 15 bilhões para exportadores. A ApexBrasil também reservou R$ 130 milhões para ações de diversificação de mercados, com foco em empresas que precisam redirecionar vendas para fora dos Estados Unidos.
Na prática, o avanço de R$ 10 bilhões na Europa dá ao governo um argumento político em favor do acordo Mercosul-UE, mas ainda não compensa sozinho a exposição brasileira ao tarifaço americano. O teste agora é transformar o ganho inicial em vendas recorrentes e proteger setores que dependem do mercado dos EUA.










