O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira (20) a candidatura do ex-ministro Ricardo Salles ao Senado por São Paulo e confirmou apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A decisão, tomada em convenção estadual, expõe a tensão na base governista: Salles tem atacado o PL, partido que abriga o principal aliado de Tarcísio na Assembleia Legislativa, enquanto o Novo declara fidelidade ao governador.
Além da chapa majoritária, a convenção homologou 71 candidaturas à Câmara dos Deputados e 95 à Assembleia Legislativa de São Paulo. A ata oficial do encontro ainda não foi publicada no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ataque ao Centrão e divisão na direita
Ricardo Salles intensificou nos últimos dias as críticas ao PL, legenda que controla a maior bancada da base de Tarcísio. No sábado (18), durante o Encontro Nacional do Novo, o deputado classificou o partido como “subordinado ao Centrão” e afirmou que o presidente da Assembleia, André do Prado (PL), é um “Centrão disfarçado de direita”.
As declarações acirram a disputa pelo eleitorado conservador. Salles deixou o PL em maio, após divergências com a cúpula da sigla e críticas públicas do deputado Eduardo Bolsonaro. A migração para o Novo viabilizou sua candidatura majoritária, mas o afastou da ala bolsonarista que ainda dá sustentação a Tarcísio.
O ex-governador Romeu Zema, pré-candidato do Novo à Presidência, reforçou o apoio a Salles e disse que São Paulo atrai “oportunistas” de outros estados. “É um nome excepcional. Já foi ministro, já foi secretário. Tem um currículo que supera todos os demais”, afirmou.
Reação: apoio de Zema e silêncio de Tarcísio
Zema evitou criticar diretamente o PL, mas endossou a estratégia de Salles de se apresentar como alternativa de direita independente. O governador Tarcísio de Freitas, por sua vez, não se manifestou sobre a oficialização da candidatura nem sobre os ataques ao seu principal aliado na Assembleia.
A ausência de reação de Tarcísio alimenta a dúvida sobre como o palanque do Republicanos se comportará na campanha. O governador precisa do PL para aprovar projetos na Alesp, mas o Novo lhe oferece um palanque nacional alinhado a Zema.
Na corrida ao Senado, Salles enfrenta nomes como Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que lideram as intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada em julho. O levantamento, publicado pelo PIRANOT, mostra Marina com 18% e Tebet com 16%.
Próximos passos
O registro oficial da candidatura de Salles no TSE depende da publicação da ata da convenção. O partido também precisa definir os dois suplentes que comporão a chapa majoritária. A legislação eleitoral exige que todos os nomes sejam apresentados até 15 de agosto.
Eventuais contestações jurídicas sobre propaganda eleitoral antecipada, em razão das declarações de Salles no encontro nacional, podem surgir, mas até o momento nenhuma representação foi protocolada.











