O preço médio da gasolina nos Estados Unidos voltou a superar US$ 4 por galão nesta segunda-feira (20), em meio à retomada da guerra contra o Irã. A marca reacende a pressão sobre combustíveis em uma das maiores economias consumidoras de petróleo do mundo e chega ao Brasil no pior momento para o governo: a subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina estava prevista para acabar nesta semana.
A alta desfaz o alívio observado em junho, quando a gasolina americana voltou a ficar abaixo de US$ 4 com a queda do petróleo e a expectativa de um acordo com o Irã. A nova escalada no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o mercado de energia, reduz a margem para queda nas cotações internacionais e recoloca o preço dos derivados no centro da disputa econômica e política.
Nos Estados Unidos, o combustível já havia subido 50% desde o início da guerra com o Irã. O peso da gasolina no orçamento das famílias transformou o tema em foco de desgaste para o governo Donald Trump, enquanto o Senado americano avançou com uma medida para limitar os poderes de guerra do presidente contra Teerã.
Choque externo aperta a conta brasileira
No Brasil, o efeito não aparece apenas na bomba. A disparada do petróleo pressiona a Petrobras, encarece importações e torna mais difícil retirar o amortecedor fiscal criado para segurar o preço da gasolina. Se o subsídio de R$ 0,44 por litro sair de cena de uma vez, parte da diferença tende a chegar ao consumidor em um período de inflação ainda sensível.
A conta dos combustíveis já vinha mais pesada. Desde fevereiro, a gasolina acumula alta de 5% nos postos brasileiros, e o diesel sobe 10%, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. O avanço reduz o espaço político para um novo reajuste e aumenta o custo fiscal de manter o alívio ao consumidor.
O precedente recente pesa na decisão. Em junho, o governo cortou o subsídio do diesel, com impacto potencial de até R$ 0,35 por litro. A medida serviu como teste para a retirada gradual das subvenções, mas a nova rodada de tensão no Oriente Médio muda o ambiente: petróleo mais caro torna qualquer redução de benefício mais visível na bomba.
Etanol ajuda, mas não neutraliza a pressão
A alta do etanol dá algum fôlego ao mercado interno. O consumo do biocombustível subiu 17% em julho, impulsionado pela nova mistura na gasolina. Ainda assim, o avanço não elimina a dependência dos derivados de petróleo nem resolve, sozinho, a pressão de preços provocada por uma crise internacional de oferta.
O próximo passo é fiscal e político: o governo precisa decidir se prorroga a subvenção da gasolina ou assume o risco de repasse em um mercado já pressionado. Com a gasolina americana novamente acima de US$ 4 e o conflito no Irã sustentando a tensão no petróleo, a tendência é que a decisão sobre o subsídio deixe de ser apenas uma medida temporária e vire peça central da estratégia para conter combustíveis e inflação.











