Empresas de médio e grande porte economizaram entre US$ 80 bilhões e US$ 94 bilhões desde 2024 com iniciativas de redução de emissões de gases de efeito estufa, aponta relatório divulgado nesta segunda-feira (20) pelo CDP, organização que mantém uma das principais plataformas globais de reporte ambiental corporativo.
O levantamento Disclosure Dividend 2026, que reúne dados de mais de 11,2 mil empresas responsáveis por cerca de dois terços da capitalização de mercado global, mostra que cada dólar investido em ações climáticas gerou retorno médio de US$ 10. O resultado reforça a tese de que a agenda ambiental deixou de ser apenas custo regulatório e se tornou estratégia de geração de valor.
No Brasil, porém, o retorno ficou abaixo da média global, reflexo dos custos de capital mais elevados para a transição energética no país, segundo o CDP. A entidade não detalhou o desempenho brasileiro no relatório, mas o dado acende alerta para investidores e empresas locais.
Transparência que gera economia
O CDP coleta informações ambientais de companhias abertas e fechadas em todo o mundo. A edição de 2026 do Disclosure Dividend analisou respostas enviadas em 2025, abrangendo setores como energia, indústria, transporte e agricultura. A economia global de até US$ 94 bilhões considera reduções de custos operacionais, eficiência energética e menor exposição a riscos regulatórios.
O relatório surge em um momento em que a agenda ESG (ambiental, social e de governança) é pressionada a demonstrar retorno financeiro concreto. No Brasil, o governo federal projeta economia de R$ 341,6 bilhões com a agenda de competitividade lançada em junho, conforme mostrou o PIRANOT. Ainda assim, a transparência ambiental das empresas brasileiras permanece aquém da média global, o que pode limitar o acesso a capital mais barato.
Impacto para investidores e mercado
O retorno de US$ 10 por dólar investido em redução de emissões é um argumento poderoso para gestores de fundos e bancos que condicionam financiamentos a metas climáticas. “A agenda climática deixou de ser tratada apenas como uma obrigação regulatória ou reputacional e passou a ser vista como uma estratégia de geração de valor e de proteção financeira”, afirma o CDP no relatório.
Para o Brasil, o desempenho abaixo da média global pode representar perda de competitividade. Empresas que não reportam emissões ou não investem em eficiência energética tendem a enfrentar custos de capital mais altos, especialmente em um cenário de juros elevados. O relatório do CDP não traz dados específicos por país, mas a entidade sinaliza que economias emergentes ainda patinam na integração entre metas climáticas e retorno financeiro.
Próximos passos
O CDP disponibilizou o relatório completo em seu site, mas ainda não divulgou recortes nacionais detalhados. A expectativa é que os dados por país sejam publicados nas próximas semanas, o que permitirá uma avaliação mais precisa do desempenho brasileiro.
Enquanto isso, investidores e reguladores brasileiros acompanham o debate. A ausência de dados oficiais nacionais, contudo, segue como obstáculo para medir o real impacto financeiro da agenda verde no país.











