sexta-feira, 17 de julho de 2026
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Economia

Governo anuncia crédito de R$ 15 bi para exportadores após tarifaço dos EUA

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O programa Brasil Soberano 2.0 será operado pelo BNDES sem aporte do Tesouro Nacional.
  • A tarifa de 25% atinge 18% das exportações brasileiras aos EUA, o equivalente a US$ 7,4 bilhões.
  • Calçados, vestuário e pedras ornamentais estão entre os setores mais expostos à sobretaxa.
  • O governo não detalhou prazos de desembolso nem critérios de elegibilidade por porte de empresa.
  • A medida tenta proteger 2,4 mil empresas, mas a falta de regras preocupa setores com menor fôlego financeiro.

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) um programa de crédito de R$ 15 bilhões para socorrer exportadores brasileiros atingidos pela tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos, que entra em vigor em 22 de julho.

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A medida tenta conter o impacto sobre 2,4 mil empresas nacionais, mas o Palácio do Planalto ainda não detalhou o cronograma de desembolso nem os critérios de elegibilidade por porte de empresa — lacuna que preocupa setores com menor fôlego financeiro e pode atrasar a proteção de empregos.

O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a sobretaxa como “injusta e descabida” e afirmou que o programa será operado pelo BNDES, sem necessidade de recursos do Tesouro Nacional. “O governo terá um programa de apoio para quem está aqui dentro trabalhando”, disse, em coletiva de imprensa ao lado do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

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Setores industriais concentram impacto da tarifa

De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), a nova tarifa atinge 18% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a US$ 7,4 bilhões com base nos dados de 2024. Calçados, vestuário e pedras ornamentais estão entre os segmentos mais expostos, segundo a Secretaria de Comércio Exterior.

Ficam de fora da cobrança produtos como aeronaves, carnes e café, que contam com isenção explícita na regra comercial americana. Ainda assim, a participação dos EUA como destino das vendas externas brasileiras caiu de 12,4% para 9,4% nos últimos anos, movimento que pode se acentuar com a nova barreira.

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Crédito bilionário sem prazo definido preocupa setor produtivo

O socorro de R$ 15 bilhões, batizado de Brasil Soberano 2.0, repete o modelo adotado em 2025 para enfrentar tarifas setoriais. No ano passado, o plano original socorreu exportadores de aço e alumínio afetados por tarifas da Seção 232, mas o novo programa terá escopo mais amplo. Contudo, o governo não informou quando os recursos estarão disponíveis nem quais empresas poderão acessá-los. O BNDES ainda não divulgou as condições de financiamento, como taxas de juros e prazos de carência, o que dificulta o planejamento das empresas.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a condução das negociações bilaterais e cobrou agilidade na implementação do auxílio. A indefinição ocorre num momento em que o governo tenta diversificar parceiros comerciais. Em junho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, viajou à China para reuniões com o governo e o Banco dos BRICS, como mostrou o PIRANOT.

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A ofensiva tarifária americana, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, alega práticas desleais do Brasil no uso do Pix, propriedade intelectual e etanol. Em 2025, a Suprema Corte dos EUA derrubou uma tentativa anterior de tarifa de 50%, mas a nova investida avança sob justificativa legal distinta.

Governo busca saída diplomática enquanto tarifa entra em vigor em 22 de julho

O Itamaraty e o Mdic mantêm canais de negociação com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A proposta do USTR foi apresentada em 1º de junho e, desde então, o governo brasileiro vinha sendo pressionado a reagir. A tarifa de 25% começa a valer na próxima quarta-feira (22), e o governo brasileiro prometeu anunciar “em breve” as regras do programa de apoio.

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Enquanto os detalhes não saem, exportadores de setores como rochas ornamentais e confecções pressionam por uma linha de crédito emergencial que evite demissões já no terceiro trimestre. A indefinição sobre o cronograma de liberação dos recursos é o principal ponto de tensão entre o governo e o setor produtivo.


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