quinta-feira, 16 de julho de 2026
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Economia

Haddad acusa Flávio e Trump de quererem privatizar Pix, mas não há projeto concreto

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A fala ocorreu durante críticas ao novo tarifaço de 25% imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros.
  • Haddad chamou o governador Tarcísio de Freitas de "ingênuo" por apoiar Trump e cobrou reação do governo.
  • A acusação surge na pré-campanha ao governo de SP, onde Haddad disputa contra Tarcísio, aliado de Flávio Bolsonaro.
  • O Pix é operado integralmente pelo Banco Central desde 2020 e não há propostas formais de privatização.
  • Flávio Bolsonaro e Tarcísio não se manifestaram sobre a acusação até a publicação da matéria.

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira (16) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, querem privatizar o Pix. A declaração foi dada durante críticas ao novo tarifaço de 25% imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros, que entra em vigor em 22 de julho.

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A acusação, no entanto, não é acompanhada de qualquer projeto de lei, proposta formal ou documento que indique a intenção de desestatizar o sistema de pagamentos instantâneos, controlado pelo Banco Central desde seu lançamento em 2020. A fala de Haddad ocorre em meio à pré-campanha eleitoral de 2026, na qual o petista disputa o Palácio dos Bandeirantes contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Flávio Bolsonaro.

Haddad também criticou Tarcísio por apoiar Trump, classificando-o como “ingênuo”, e cobrou uma reação do governo brasileiro às tarifas. “Espero que o Tarcísio reavalie a sua posição de apoio ao governo dos Estados Unidos. Ele tem que fazer uma autocrítica”, disse o ex-ministro, em declaração registrada pelo Valor. A reportagem não localizou manifestação de Flávio Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas sobre a acusação de privatização do Pix até a publicação desta matéria.

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Acusação sem projeto concreto

O Pix foi criado em novembro de 2020 e se consolidou como o principal meio de pagamento do país, com mais de 150 milhões de usuários. Sua operação é integralmente pública, gerida pelo Banco Central, e não há registro de iniciativa legislativa ou administrativa para transferi-lo à iniciativa privada. A acusação de Haddad ecoa uma narrativa que ganhou força nas redes sociais após o anúncio das tarifas americanas, mas que carece de sustentação factual.

A associação entre Flávio Bolsonaro e as tarifas de Trump foi explorada pela base governista, que cunhou o apelido “Tariflávio” depois que o senador se reuniu com o presidente americano em junho, como informou o PIRANOT. Na ocasião, Flávio afirmou que Trump perguntou sobre a situação de seu pai, Jair Bolsonaro, e não houve menção ao Pix, conforme relatado pelo PIRANOT. Apesar da retórica, o tarifaço de 25% foi anunciado pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) e atinge setores como aço, alumínio e produtos agrícolas, com impacto estimado em bilhões de dólares para as exportações brasileiras. A medida não faz qualquer referência ao Pix ou a sistemas financeiros.

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Silêncio da oposição e impacto eleitoral

Procurados, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas não se manifestaram sobre a acusação de privatização do Pix. O senador, pré-candidato à Presidência, tem evitado comentar diretamente as tarifas, enquanto Tarcísio defendeu o alinhamento com os EUA como estratégia comercial. A ausência de resposta mantém a acusação no campo da disputa política, sem confirmação ou desmentido formal.

A declaração de Haddad ocorre em um momento de intensificação da campanha eleitoral. O PIRANOT mostrou que o ex-presidente Lula ampliou vantagem nas pesquisas, enquanto a direita chega rachada a 90 dias do voto. O tarifaço e a soberania do Pix devem se tornar temas centrais nos debates.

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Próximos passos

As tarifas de 25% entram em vigor em 22 de julho. O governo brasileiro ainda não anunciou medidas de retaliação ou negociação. A acusação de privatização do Pix, por ora, permanece como retórica de campanha, sem desdobramentos institucionais. A oposição terá que decidir se responde formalmente ou mantém o silêncio diante da ofensiva petista.


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