A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (16) revela que 51% dos brasileiros atribuem ao senador Flávio Bolsonaro (PL) a responsabilidade pelo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O índice representa uma virada em relação a junho, quando apenas 35% concordavam com a versão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o senador pediu sanções a Donald Trump em reunião realizada em maio.
O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de julho, antes da confirmação oficial das tarifas na quarta-feira (15), tem margem de erro de 2 pontos percentuais. A parcela que apoia a narrativa de Flávio — de que Lula provocou os EUA com declarações — caiu de 47% para 30% no mesmo período.
O impacto eleitoral do episódio também é desfavorável ao pré-candidato. Questionados se o tema aumenta a vontade de votar em cada nome, 42% responderam que sim para Lula, contra 27% para Flávio. Outros 28% disseram que a questão tarifária não altera sua intenção de voto.
A mudança na percepção pública ocorre após uma escalada de tensões comerciais e políticas. Em 26 de maio, Flávio Bolsonaro se reuniu com Trump nos Estados Unidos. Dias depois, o governo americano sinalizou a imposição de tarifas, concretizada em 15 de julho. Desde então, Lula e aliados passaram a acusar o senador de ter incentivado as sanções, apelidando-o de “Tariflávio” — termo que ganhou as redes sociais e foi tema de reportagem do PIRANOT nesta quarta.
O senador nega a acusação e afirma que sua visita teve o objetivo de defender os interesses brasileiros. “Quem provocou os Estados Unidos foi o presidente Lula, com discursos hostis e alinhamento automático a potências rivais”, declarou Flávio em maio. A pesquisa Quaest, no entanto, indica que a maioria do eleitorado rejeita essa versão.
A nova rodada da Quaest consolida uma tendência de desgaste do senador no tema. Em maio, pesquisa PoderData mostrava empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno. Agora, o tarifaço parece ter virado um trunfo para o presidente, que explora o episódio para se apresentar como defensor da soberania nacional.
O governador Ronaldo Caiado (União) também tentou usar o tarifaço para se diferenciar, conforme mostrou o PIRANOT em 9 de julho. Mas os números da Quaest indicam que o principal beneficiário da crise é Lula.
Procuradas, as campanhas de Lula e Flávio não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O Palácio do Planalto limitou-se a divulgar a pesquisa em suas redes sociais, sem comentários adicionais.
As tarifas de 25% sobre produtos brasileiros entram em vigor em 22 de julho. O governo brasileiro estuda medidas de retaliação comercial e já anunciou que acionará a Organização Mundial do Comércio (OMC). Enquanto isso, a pré-campanha presidencial deve intensificar o uso do tema, com Lula buscando capitalizar o desgaste do adversário e Flávio tentando reverter a narrativa.











