O petróleo Brent subiu a US$ 85,26 nesta quinta-feira (16), em meio à escalada militar entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico. A alta recoloca o Estreito de Ormuz no centro das preocupações do mercado de energia e aumenta a pressão sobre combustíveis e inflação no Brasil.
Ormuz é uma das passagens mais sensíveis do comércio global de energia: cerca de 20% do petróleo mundial cruza a rota. Qualquer ameaça ao trânsito de navios na região costuma elevar rapidamente o prêmio de risco embutido no preço do barril, porque investidores passam a considerar a possibilidade de interrupção no fornecimento.
A tensão ganhou força depois que o Irã anunciou, na quarta-feira (15), a morte de sete militares em um bombardeio dos EUA. A troca de ataques manteve o mercado em alerta e reforçou o temor de que o conflito avance sobre rotas de exportação de petróleo no Oriente Médio.
Por que Ormuz pesa no preço do barril
O avanço do Brent para US$ 85,26 ocorre após semanas de forte oscilação. Em 11 de junho, a cotação chegou a US$ 94 com o aumento da tensão no Estreito de Ormuz. No começo de julho, o cenário se inverteu: o barril recuou a US$ 72,35 em 1º de julho, com sinais de alívio nas negociações entre EUA e Irã, e voltou a rondar US$ 70 nos dias seguintes.
A trégua, porém, durou pouco. Na segunda-feira (14), o Brent já havia subido 1,72%, a US$ 84,73, depois que Donald Trump recuou de uma taxa sobre a passagem por Ormuz. A nova alta desta quinta mostra que o mercado segue precificando risco geopolítico, não apenas oferta e demanda.
Brasil sente pressão em combustíveis e inflação
Para o consumidor brasileiro, o ponto central é o efeito do barril sobre gasolina e diesel. O Brasil importa parte dos derivados que consome, o que torna o mercado interno sensível a movimentos do petróleo no exterior. Quando o Brent sobe de forma persistente, cresce a pressão por reajustes nas refinarias e por repasses ao preço final nas bombas.
O impacto não se limita ao posto. Diesel mais caro encarece frete, transporte de mercadorias e cadeias de distribuição; gasolina mais alta pesa diretamente no orçamento das famílias. Por isso, uma alta prolongada do petróleo tende a alimentar expectativas de inflação, especialmente se vier acompanhada de pressão cambial.
A Petrobras fica no centro desse cálculo. A empresa não acompanha automaticamente cada variação diária do Brent, mas movimentos consistentes do petróleo aumentam a cobrança do mercado sobre a defasagem dos preços domésticos em relação às referências internacionais.
Volatilidade já atingiu Bolsa e dólar
A instabilidade no Oriente Médio já havia contaminado ativos brasileiros nas últimas semanas. Em maio, em um dia marcado pela tensão entre EUA e Irã, o Ibovespa recuou 0,88% e o dólar fechou a R$ 5,02. Em 15 de junho, uma queda de mais de 5% do petróleo também pressionou ações da Petrobras e levou o Ibovespa a baixa de 0,42%.
O próximo teste para o mercado será a duração da tensão no Golfo Pérsico. Se o fluxo por Ormuz continuar sob ameaça, o Brent tende a seguir volátil, com reflexos sobre Petrobras, combustíveis e expectativas de inflação no Brasil.











