A FIFA anunciou nesta sexta-feira (10) a doação de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões) para as vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho. O anúncio ocorre 16 dias após o desastre. O valor sairá do fundo humanitário da entidade, criado para apoiar populações afetadas por desastres.
A entidade não detalhou, porém, quais organizações venezuelanas receberão os recursos nem os critérios de distribuição. A falta de transparência sobre os operadores locais levanta dúvidas sobre a fiscalização do dinheiro em um país com histórico de instabilidade política e corrupção.
Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, deixaram 3.889 mortos e cerca de 17 mil feridos, segundo o governo venezuelano. A tragédia agravou a crise humanitária no país, que já enfrenta escassez de alimentos e medicamentos. O Brasil enviou suprimentos e equipes de apoio para a fronteira com a Venezuela. Como informou o PIRANOT em 30 de junho, a FIFA destinou US$ 9 milhões a cada seleção participante da Copa do Mundo de 2026, e agora mobiliza seu fundo humanitário para a Venezuela.
Doação de Shakira e fundo educacional
Paralelamente, a cantora Shakira anunciou no início do mês a destinação de US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões) por meio do Fundo de Educação FIFA Global Citizen. O recurso será voltado para crianças venezuelanas que tiveram os estudos interrompidos pelos tremores. Somada à doação da FIFA, a ajuda total anunciada por meio da entidade chega a US$ 1,5 milhão.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Shakira afirmou que o fundo convidará “organizações locais confiáveis” que já atuam na resposta humanitária. Assim como no anúncio da FIFA, porém, não foram divulgados nomes ou prazos para a liberação dos valores.
Falta de transparência sobre operadores locais
A ausência de informações sobre os destinatários finais dos recursos preocupa especialistas em ajuda humanitária. A Venezuela enfrenta um ambiente político conturbado, o que pode dificultar o rastreamento da aplicação do dinheiro e aumentar o risco de desvios.
A FIFA não informou quando os recursos serão liberados. A entidade também não respondeu aos questionamentos sobre os mecanismos de prestação de contas que serão adotados para garantir que a doação chegue às vítimas.











