quinta-feira, julho 9
MERCADO
IBOVESPA 170.653 pts▼ 1,04%DOW JONES 52.348 pts▼ 1,33%NASDAQ 25.871 pts▼ 0,96%S&P 500 7.483 pts▼ 0,73%DÓLAR R$ 5,17▲ 0,02%EURO R$ 5,91▲ 0,06%BITCOIN R$ 324.025▲ 1,08%ETHEREUM R$ 8.995▼ 0,08%CDI 14,15%IPCA 12M 4,72%
AGRO
BOI GORDO R$ 324,70 /@▼ 0,58%SOJA R$ 140,40 /sc▲ 0,49%MILHO R$ 64,37 /sc▲ 0,09%CAFÉ ARÁBICA R$ 1.712,39 /sc▼ 1,46%AÇÚCAR R$ 92,21 /sc▼ 1,77%ETANOL HIDRATADO R$ 2,24 /litro▼ 0,84%ALGODÃO ¢R$ 408,74 /lp▼ 0,94%TRIGO R$ 1.373,81 /t▲ 0,72%FRANGO R$ 7,19 /kg▲ 0,14%SUÍNO R$ 8,61 /kg▲ 0,00%DÓLAR R$ 5,16▼ 0,03%
Publicidade
Agronegócio

Etanol fica mais barato em SP enquanto área de cana cresce 3% no Centro-Sul

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Oferta maior de etanol de cana e de milho pressionou as cotações nas usinas paulistas.
  • Clima favorável permitiu avanço da moagem no começo do ciclo.
  • Safra 2024/25 fechou com 676,96 milhões de toneladas, queda de 5,1%.
  • Conab projeta 663,44 milhões de toneladas em 2025/26, menor volume em anos.
  • Produtividade segue afetada por secas recentes, apesar da renovação de canaviais.

Os preços dos etanóis anidro e hidratado recuaram em São Paulo no primeiro trimestre da safra 2026/27, ao mesmo tempo em que a área destinada à colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul avançou 3%. O movimento combina mais oferta no curto prazo com um cenário ainda pressionado pela produtividade menor dos canaviais.

Publicidade

A queda atinge os dois principais produtos vendidos pelas usinas paulistas. O etanol hidratado é o combustível usado diretamente nos veículos flex; o anidro entra na mistura obrigatória da gasolina. Com a moagem avançando no começo do ciclo e a produção de etanol de cana e de milho ganhando espaço, os preços perderam força nas negociações do período.

O recuo, porém, não significa alívio amplo para o setor. A safra 2024/25 terminou com queda de 5,1% na produção de cana-de-açúcar, e as projeções para 2025/26 indicam novo ciclo apertado. A expansão da área colhida no Centro-Sul ajuda a recompor parte da oferta, mas ainda não elimina o efeito das secas recentes sobre a produtividade agrícola.

Publicidade

Área maior não resolve perda de produtividade

O avanço de 3% na área disponível para colheita mostra que as usinas entraram na safra 2026/27 com mais canaviais em operação. A recuperação, contudo, depende menos do tamanho da área e mais do rendimento por hectare, justamente o ponto afetado por estiagens e pelo envelhecimento de parte dos canaviais nos últimos ciclos.

Esse contraste explica a leitura dividida do mercado: há mais cana a colher no Centro-Sul, principal polo sucroenergético do país, mas o volume final ainda depende do clima e da capacidade de moagem ao longo do ano. Em safras recentes, o setor ampliou a produção de etanol mesmo com estimativas mais fracas para a cana, reforçando a disputa entre açúcar e biocombustíveis dentro das usinas.

Publicidade

Preço menor aperta a conta das usinas

Para as usinas, etanol mais barato no início da safra reduz a receita por litro vendido e pode estreitar margens em um momento de custos agrícolas ainda elevados. O efeito varia conforme o perfil de cada grupo, o mix entre açúcar e etanol e o nível de endividamento.

Resultados recentes de empresas do setor já indicavam uma operação mais seletiva. A Zilor encerrou a safra 2025/26 com lucro de R$ 364,4 milhões, enquanto a Tereos reportou lucro de R$ 137 milhões, queda de 62% sobre o ciclo anterior, apesar de reduzir a dívida em 19%. Esses números mostram que a rentabilidade depende tanto do preço dos produtos quanto da estrutura financeira de cada companhia.

Na ponta do consumidor, a queda nas usinas tende a chegar aos postos com atraso e de forma desigual. O preço final do etanol depende de frete, tributos, margens de distribuição e revenda e da relação com a gasolina. Nos próximos meses, o mercado acompanha se a área maior no Centro-Sul será suficiente para compensar a produtividade mais fraca e sustentar preços menores dos biocombustíveis.


Publicidade