Flávio Bolsonaro (PL) tentou conter nesta quarta-feira (1º) o desgaste provocado por Paulo Figueiredo, aliado do bolsonarismo, após a declaração de que mulheres “votam mal”. O senador repudiou a fala em um evento com apoiadoras em Brasília, cerca de 48 horas depois da repercussão inicial, e disse que Figueiredo não integra sua pré-campanha.
A reação, porém, veio sob cobrança de dentro do próprio campo político. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), uma das principais vozes da direita entre eleitoras evangélicas e conservadoras, afirmou que Flávio “demorou” a se posicionar. A crítica tornou público o incômodo de lideranças femininas com o silêncio inicial diante de uma frase vista como ofensiva ao eleitorado que o senador tenta aproximar.
O episódio atingiu um ponto sensível da pré-campanha. Flávio busca recompor pontes com mulheres do PL e com o grupo ligado a Michelle Bolsonaro, tratada por aliados como o nome mais forte do bolsonarismo para falar diretamente com esse público. A ausência da ex-primeira-dama no ato ampliou a leitura de que a articulação ainda enfrenta ruídos internos.
Demora vira problema político para Flávio
A fala de Figueiredo colocou a campanha em uma posição desconfortável porque obrigou Flávio a escolher entre preservar um aliado frequente do bolsonarismo e reagir a uma declaração com potencial de afastar eleitoras. Ao repudiar o comentário apenas depois da pressão pública, o senador abriu espaço para críticas sobre a capacidade de responder rapidamente a temas de gênero.
Na tentativa de reduzir o dano, a equipe de Flávio reforçou que Figueiredo não tem função formal na pré-campanha. A distinção busca afastar o senador da declaração sem romper com uma figura que circula no ambiente político bolsonarista e mantém interlocução com apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Figueiredo, por sua vez, minimizou a reação. Questionado depois do repúdio, afirmou que aquilo que diz é responsabilidade sua. A resposta manteve a crise aberta: mesmo fora da estrutura oficial da pré-campanha, ele continua associado ao núcleo político que Flávio tenta mobilizar para 2026.
Michelle vira peça central no desgaste
A cobrança de Damares também teve um recado indireto sobre Michelle. Sem a ex-primeira-dama no evento, coube a outras lideranças femininas cobrar uma reação mais firme. O gesto expôs a dependência de Flávio em relação ao capital político de Michelle entre mulheres conservadoras, especialmente em um momento em que o PL tenta organizar atos específicos para esse eleitorado.
Para aliados, o risco é que a demora transforme uma fala isolada em símbolo de hesitação política. Em uma pré-campanha que precisa ampliar apoio fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo, a reação tardia dá munição a adversários e alimenta desconfiança entre eleitoras que esperavam uma resposta imediata.
O próximo teste será a agenda de Flávio com lideranças femininas do PL. A partir de agora, o senador terá de demonstrar que o repúdio a Figueiredo não foi apenas uma contenção de crise, mas uma tentativa de reorganizar a relação com o eleitorado feminino e com o grupo político de Michelle.











