quarta-feira, julho 1
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Economia

Emergentes captam US$ 450 bilhões em bônus com menor risco desde 2007

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Entre os maiores tomadores, seis países ultrapassaram US$ 10 bilhões em captações no semestre: México, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Polônia, Turquia e Brasil.
  • As emissões internacionais de bônus por países emergentes somaram US$ 450 bilhões no primeiro semestre de 2026, recorde histórico para o período, segundo dados compilados pela Bloomberg.
  • Até o momento, não há balanço do Banco Central ou do Tesouro Nacional que valide o volume total nem que detalhe os emissores brasileiros.
  • O Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda não divulgaram balanços consolidados das captações externas brasileiras no primeiro semestre.
  • O montante representa alta de 15% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Governos e empresas de países emergentes levantaram US$ 450 bilhões no mercado internacional de bônus no primeiro semestre de 2026, o maior volume já registrado para o período. O avanço ocorre em um momento de forte procura de investidores globais por ativos de maior retorno, mesmo com os juros dos Estados Unidos ainda em patamar elevado.

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Dados compilados pela Bloomberg indicam alta de 15% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A melhora nas condições de financiamento aparece também no custo das emissões: o spread médio da dívida emergente sobre os títulos do Tesouro americano caiu para 154 pontos-base em junho, menor nível desde 2007.

Na prática, o spread menor mostra que o investidor exige um prêmio de risco mais baixo para comprar papéis de países emergentes. Esse movimento barateia o acesso ao crédito externo para emissores soberanos e corporativos e ajuda a explicar a aceleração das captações no semestre.

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Brasil entra no grupo dos maiores emissores

Brasil, México, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Polônia e Turquia aparecem entre os mercados que superaram US$ 10 bilhões em emissões no semestre. O grupo reúne economias com perfis distintos, mas com uma característica comum: demanda suficiente para acessar o mercado externo em escala relevante enquanto os investidores ampliam posições fora dos ativos americanos tradicionais.

Para o Brasil, a presença nesse bloco sinaliza reabertura de espaço para captações em moeda estrangeira, sobretudo por companhias com melhor avaliação de crédito e por emissores capazes de aproveitar janelas de mercado. A entrada de recursos externos pode aliviar o custo financeiro de empresas, alongar dívidas e reforçar caixa, embora o efeito varie conforme prazo, moeda e proteção cambial de cada operação.

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Janela externa melhora, mas risco não desaparece

A corrida por bônus emergentes reflete uma combinação favorável para esse tipo de ativo: expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos, busca por rendimento acima dos títulos do Tesouro americano e maior disposição para assumir risco em mercados fora do eixo das economias desenvolvidas.

Esse ambiente, porém, não elimina a vulnerabilidade típica das captações externas. Empresas e governos que se financiam em dólar continuam expostos à oscilação cambial, à percepção de risco fiscal e a mudanças na política monetária americana. Uma reversão nas expectativas sobre juros nos EUA tende a encarecer novas emissões e reduzir a liquidez para papéis de países emergentes.

O recorde do semestre mostra que a janela internacional está aberta para emissores emergentes e que o Brasil participa desse fluxo. O próximo teste para o mercado será a capacidade de manter captações relevantes se os juros americanos demorarem mais a cair ou se o apetite global por risco perder força.


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