A agropecuária do Paraná deve encerrar 2025 com Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 212,6 bilhões, o maior patamar da série estadual. A estimativa preliminar atribuída ao Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, representa alta nominal de 13% sobre os R$ 188,3 bilhões registrados em 2024.
O avanço confirma o peso do Paraná entre os grandes polos agropecuários do país e ajuda a medir a força de duas cadeias centrais para a economia brasileira: grãos e proteína animal. Em termos reais, descontada a inflação, o crescimento estimado é de 9%, sinal de expansão que vai além da simples correção de preços.
A pecuária responde pela maior fatia do resultado. O segmento soma R$ 111,7 bilhões, o equivalente a 53% do VBP estadual. O frango de corte aparece como o principal produto individual da pecuária e representa 17% de todo o faturamento agropecuário paranaense, reflexo da presença de cooperativas, frigoríficos e uma cadeia integrada de produção no estado.
Soja, milho e frango sustentam a alta
Nas lavouras, a soja e o milho de verão formam o outro eixo do crescimento. A safra de verão 2025/2026 atingiu 26,3 milhões de toneladas de grãos, volume 6% superior ao ciclo anterior e recorde para o estado. A soja respondeu por 21,8 milhões de toneladas, enquanto o milho de verão chegou a 4,1 milhões de toneladas, ante 3,1 milhões na safra anterior.
O desempenho marca uma recuperação depois de safras afetadas por problemas climáticos e melhora a oferta de matérias-primas usadas pela indústria de alimentos, de rações e de biocombustíveis. No caso do milho e do farelo de soja, a produção maior tende a reduzir a pressão de custos sobre criadores de aves e suínos, embora o repasse ao consumidor dependa também de câmbio, frete, demanda externa e margens da indústria.
A comparação de longo prazo mostra a mudança de escala do setor. Em 2019, o VBP agropecuário paranaense era de R$ 98 bilhões. Se a estimativa de 2025 se confirmar, o valor terá mais que dobrado em seis anos em termos nominais. Na pecuária, a expansão foi de R$ 48,7 bilhões para R$ 111,7 bilhões no mesmo período, avanço puxado sobretudo pela avicultura.
Resultado melhora oferta, mas não garante comida mais barata
O VBP mede o valor gerado pela produção agropecuária dentro da porteira, combinando quantidade produzida e preços recebidos pelos produtores. Por isso, um recorde no indicador não significa automaticamente queda nos preços dos alimentos nos supermercados. Ele mostra, antes, que o campo movimentou mais receita e que cadeias relevantes para o abastecimento ganharam fôlego.
No curto prazo, a produção maior de grãos pode aliviar custos de insumos para a própria agroindústria paranaense, especialmente nas cadeias de aves, suínos, óleos e farelos. Esse efeito é importante porque o estado combina grande produção agrícola com forte capacidade de processamento, abate e exportação. Quando há mais soja e milho disponíveis, a indústria ganha espaço para recompor estoques e negociar preços com menos pressão.
Para as exportações, o resultado reforça a posição do Paraná em mercados nos quais o Brasil já tem presença dominante. Soja, carnes e derivados seguem como produtos estratégicos da pauta externa, e a expansão do VBP indica maior capacidade de geração de receita para produtores, cooperativas, tradings e frigoríficos instalados no estado.
Plano Safra e logística entram no radar
O recorde também pressiona a agenda de crédito rural e infraestrutura. Um setor que supera R$ 200 bilhões em valor de produção demanda armazenagem, estradas, ferrovias, portos e financiamento em escala compatível. A discussão sobre o Plano Safra 2026/27, para o qual ministérios pediram R$ 652 bilhões, ganha força nesse ambiente de produção elevada e necessidade de capital para custeio, investimento e seguro rural.
A logística é outro ponto sensível. A ampliação da capacidade de armazenagem no Paraná, como a liberação de R$ 57,7 milhões pelo BNDES para estruturas da Copacol, mostra a tentativa de reduzir gargalos entre colheita, processamento e escoamento. Em anos de safra recorde, falta de armazéns e custos de transporte podem corroer parte do ganho obtido no campo.
O dado final do VBP ainda pode passar por ajustes, como ocorre em estimativas agropecuárias. Mesmo assim, a fotografia de 2025 já aponta uma agropecuária paranaense mais forte, com pecuária liderando a receita, grãos em volume recorde e impacto direto sobre custos industriais, exportações e decisões de investimento no estado.










