A Petrobras precisará importar diesel em julho, após passar abril, maio e junho sem recorrer ao mercado externo, informou a presidente da estatal, Magda Chambriard. A declaração foi feita nesta quinta-feira (25/6), durante cerimônia de retomada das obras da fábrica de fertilizantes nitrogenados (UFN-III) em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.
— Não precisamos importar diesel nem em abril, nem em maio, nem em junho. Mas agora em julho teremos que importar. Mas só por enquanto, porque já estamos estudando, nesse quinquênio, como ser autossuficiente em diesel — disse Chambriard.
O Brasil importa o equivalente a cerca de 30% da demanda nacional de diesel. A estatal havia conseguido suspender as compras externas nos últimos três meses, beneficiada por investimentos em refinarias e pela expansão da produção em unidades como a Refinaria do Nordeste (RNEST), em Pernambuco, que entregou 300 mil barris por dia ante os 230 mil previstos no projeto original.
Frase sobre meio ambiente reacende debate
No mesmo evento, Chambriard voltou a defender a exploração de petróleo no país e associou a atividade à geração de receita e desenvolvimento econômico. A presidente provocou críticas ao contrapor a produção de petróleo à preservação ambiental.
— O Brasil precisa decidir se quer gerar impostos e desenvolvimento com a produção de petróleo ou ir para a selva e ter um ar maravilhoso — afirmou.
A fala reacende o debate sobre o papel da Petrobras na transição energética e a pressão sobre o governo para ampliar a fronteira de exploração. A estatal vem defendendo a continuidade da produção de combustíveis fósseis como forma de financiar investimentos em energias renováveis e em fertilizantes.
Contexto geopolítico pressiona custos
A retomada das importações ocorre em um cenário de tensão no mercado global de combustíveis. O conflito no Oriente Médio e o risco de bloqueio do Estreito de Ormuz elevaram o preço do barril de petróleo acima de US$ 100, o que repercute diretamente no custo de aquisição de derivados no mercado internacional.
O diesel é o combustível base do transporte de cargas no país e afeta diretamente o custo do frete rodoviário, que responde pela maior parte da logística de alimentos e insumos industriais. Qualquer alteração no preço de reposição pode, portanto, pressionar a inflação e os custos logísticos em plena safra.
Autossuficiência segue como meta
Chambriard indicou que a Petrobras estuda formas de ampliar a capacidade de produção de diesel no atual quinquênio, com foco em ganhos de eficiência nas refinarias existentes. A presidente citou o desempenho acima do esperado da RNEST como exemplo de que há margem para elevar a produção além do projetado.
A retomada das obras da UFN-III faz parte desse esforço. A unidade de fertilizantes nitrogenados deve reduzir a dependência brasileira de importações de insumos agrícolas — outra frente em que o país é comprador estrutural do exterior.
O próximo passo para o mercado será acompanhar o volume de diesel a ser contratado e o impacto dessa importação sobre a política de preços da estatal, que define os reajustes repassados às distribuidoras e, em última instância, aos postos de combustível.











