terça-feira, junho 23
MERCADO
IBOVESPA 171.468 pts▲ 1,72%DOW JONES 51.778 pts▲ 0,41%NASDAQ 25.700 pts▼ 3,08%S&P 500 7.386 pts▼ 1,53%DÓLAR R$ 5,20▲ 0,88%EURO R$ 5,93▲ 0,41%BITCOIN R$ 324.180▼ 2,72%ETHEREUM R$ 8.618▼ 4,20%SELIC 14,25%CDI 14,15%IPCA 12M 4,72%
AGRO
BOI GORDO R$ 343,90 /@▼ 0,46%SOJA R$ 132,81 /sc▼ 0,02%MILHO R$ 63,04 /sc▲ 0,11%CAFÉ ARÁBICA R$ 1.472,20 /sc▼ 2,11%AÇÚCAR R$ 91,60 /sc▲ 0,15%ETANOL HIDRATADO R$ 2,24 /litro▲ 0,82%ALGODÃO ¢R$ 411,71 /lp▼ 1,00%TRIGO R$ 1.368,01 /t▼ 0,68%FRANGO R$ 7,29 /kg▲ 0,14%SUÍNO R$ 8,61 /kg▲ 0,23%DÓLAR R$ 5,21▲ 0,89%
Publicidade
Agronegócio

Rússia estuda vetar exportação de diesel e coloca frete e alimentos do Brasil sob risco

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Medida ainda depende de ato formal do governo russo
  • Brasil importa parte do diesel usado no transporte de cargas
  • Alta do combustível pode pressionar alimentos e safra agrícola
  • Exportações marítimas russas subiram 8% em abril ante março
  • Ataques ucranianos ampliam incerteza sobre refinarias russas

A Rússia estuda barrar as exportações de diesel nesta terça-feira (23), e o movimento acende alerta para importadores brasileiros do combustível. O Brasil ampliou as compras do produto russo após 2022 e tornou-se um dos principais destinos globais do diesel exportado por Moscou.

Publicidade

O diesel é insumo estrutural da economia nacional: responde por parcela dominante do consumo de combustíveis no transporte de cargas e na mecanização agrícola. Qualquer restrição à oferta russa repercute diretamente na logística brasileira — e, por tabela, nos fretes, na produção do campo e nos preços de alimentos.

Os dados de mercado mostram que a Rússia ainda mantinha fluxo marítimo expressivo de diesel em abril, apesar dos ataques ucranianos a portos e refinarias: 3,25 milhões de toneladas exportadas, alta de 8% ante março, segundo a LSEG. O volume representa leve recuo sobre as 3,3 milhões de toneladas de abril de 2025, mas demonstra resiliência da oferta russa mesmo sob pressão de guerra.

Publicidade

A pressão sobre a oferta interna da Rússia, contudo, é crescente. A refinaria de Tuapse, da Rosneft, interrompeu as operações em 16 de abril após ataque de drones ucranianos. Conforme apurado, Moscou avalia também importar combustíveis para compensar os danos à infraestrutura energética doméstica — o que reforça a tensão sobre o abastecimento russo sem transformar o estudo de veto em decisão tomada.

Agro recordista, frete e alimentos concentram o risco para o Brasil

O agro brasileiro bateu US$ 16,65 bilhões em exportações só em abril — alta de 11,7% —, e toda essa produção sai do campo em caminhões, colheitadeiras e tratores movidos a diesel. Na região de Piracicaba, a cana-de-açúcar depende do combustível em cada etapa: da colheita ao transporte até as usinas, passando pela circulação de insumos. Um encarecimento do diesel pressiona custos operacionais da agropecuária antes de chegar ao consumidor final — no posto, no supermercado e em qualquer produto que circule por rodovia.

Publicidade

Se importadores brasileiros precisarem buscar cargas em origens mais distantes ou mais caras, o primeiro efeito aparece no custo logístico. Fretes mais altos entram diretamente na formação de preços de alimentos, materiais de construção e bens industriais — com o tamanho do repasse ao consumidor definido pela velocidade com que distribuidoras e varejistas repassam os custos.

Veto não confirmado; mercado aguarda decisão formal de Moscou

Por ora, o mercado opera com risco — não com restrição em vigor. Sem decreto, ordem ministerial ou comunicado oficial do governo russo, a ameaça permanece potencial. O próximo passo é a publicação de uma decisão formal que confirme ou descarte o veto às exportações de diesel.

Se o veto se concretizar, importadores brasileiros terão de buscar alternativas — Oriente Médio, Estados Unidos e ampliação do refino nacional figuram entre as opções históricas de diversificação, cada uma com seu próprio custo e prazo de substituição. Petrobras, ANP e Ministério de Minas e Energia não se posicionaram publicamente sobre o risco de abastecimento.


Publicidade