Luiz Inácio Lula da Silva declarou apoio à reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e fixou posição em uma das disputas mais sensíveis da base governista nos estados. Em vídeo gravado no domingo (14) e divulgado nesta segunda-feira (15), o presidente defendeu a recondução do aliado ao Senado pela Paraíba.
“É preciso que a gente reconduza o Veneziano para o Senado”, afirma Lula na gravação. A frase transforma em gesto público uma preferência que aliados do presidente já vinham sustentando nos bastidores da política paraibana.
O movimento tem peso porque coloca Lula no campo oposto ao de Nabor Wanderley, pré-candidato do Republicanos e pai de Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados. Motta é aliado do governo no Congresso e ocupa uma posição central na articulação de pautas de interesse do Planalto.
Escolha de Lula pesa sobre aliança nacional
A disputa pelo Senado na Paraíba ganhou dimensão nacional justamente por reunir, no mesmo tabuleiro, um aliado histórico de Lula e a família de um dos principais operadores políticos da Câmara. Ao entrar na campanha de Veneziano, o presidente preserva uma relação construída com o MDB local, mas assume o custo de contrariar o projeto eleitoral do pai de Motta.
Veneziano já vinha afirmando que contava com o apoio de Lula para tentar novo mandato. Em 8 de junho, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, também reforçou publicamente o apoio do presidente ao senador do MDB e ao governador João Azevêdo na Paraíba.
Na prática, o vídeo reduz a margem para ambiguidades dentro da base governista no estado. A fala de Lula dá a Veneziano um ativo eleitoral de primeira linha e obriga os demais atores da aliança a lidarem com uma escolha que já não pode ser tratada como especulação.
Republicanos ainda mede o impacto do gesto
Hugo Motta, Nabor Wanderley e o Republicanos não haviam divulgado reação pública ao vídeo. Sem uma manifestação dos envolvidos, não há elemento concreto para afirmar que o apoio de Lula produzirá ruptura na relação entre o governo e o comando da Câmara.
O efeito político imediato, porém, está dado: Lula escolheu lado na disputa paraibana antes da formalização completa do quadro eleitoral de 2026. A partir de agora, Veneziano passa a disputar a reeleição com o endosso explícito do presidente, enquanto Nabor tenta viabilizar uma candidatura que carrega o sobrenome do chefe da Câmara.
O próximo movimento relevante será a forma como Republicanos e Hugo Motta calibrarão a resposta. Por ora, o Planalto mantém a aliança nacional com o presidente da Câmara, mas Lula deixa claro que, na Paraíba, sua aposta eleitoral é Veneziano.











