segunda-feira, junho 15
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Economia

Acordo EUA-Irã derruba petróleo, mas alívio da inflação tem limite

· 5 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Prata avançou 3,2% na Comex, a US$ 70,18 por onça-troy
  • WTI fechou a US$ 80,75, enquanto o Brent recuou para perto de US$ 83
  • Banco Central Europeu vê pressão inflacionária persistente mesmo com Ormuz reaberto
  • Mercado projeta IPCA de 5,30% em 2026, acima da meta de 3%
  • Conflito no Oriente Médio elevou o prêmio de risco das commodities desde fevereiro

O acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã mudou o humor dos mercados nesta segunda-feira (15), derrubou o petróleo em quase 5% e deu fôlego ao ouro em Nova York. A leitura dos investidores foi direta: menor risco de choque de oferta no Oriente Médio reduz a pressão sobre energia e, por consequência, sobre inflação e juros. O alívio, porém, ainda está longe de significar queda imediata de preços ao consumidor.

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Na Comex, os contratos do ouro para agosto fecharam em alta de 2,7%, a US$ 4.351,60 por onça-troy. A prata para julho também subiu, com avanço de 3,2%, a US$ 70,18. O movimento recupera parte das perdas recentes do metal, que havia acumulado queda de cerca de 17% durante a escalada do conflito e tocado o menor patamar desde novembro.

O petróleo seguiu a direção oposta. O WTI para julho caiu 4,87%, a US$ 80,75 por barril, enquanto o Brent para agosto recuou 4,76%, a US$ 83,17. A queda refletiu a expectativa de redução do risco sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais sensíveis para o fluxo global de petróleo.

A reação, embora forte, não elimina a cautela. Joachim Nagel, integrante do Conselho do Banco Central Europeu, afirmou que a reabertura de Ormuz, mesmo se ocorrer em breve, não produzirá alívio imediato sobre a inflação. A razão é simples: choques de energia levam tempo para chegar aos preços finais, dependem de estoques, câmbio, política de combustíveis e do comportamento das empresas ao longo da cadeia.

Mercado troca choque de oferta por aposta em juros menos pressionados

A alta do ouro não veio de uma busca clássica por proteção em meio ao medo. O avanço foi associado ao alívio nas expectativas de inflação e juros depois da queda do petróleo. Quando o mercado passa a enxergar menor pressão inflacionária adiante, diminui também a chance de juros mais altos por mais tempo — cenário que tende a favorecer ativos sem rendimento, como o ouro.

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Esse ponto explica por que ouro e petróleo puderam andar em direções opostas no mesmo pregão. O barril caiu porque o risco de interrupção de oferta diminuiu; o ouro subiu porque investidores passaram a recalibrar o custo do dinheiro no curto prazo. O acordo, portanto, foi lido menos como solução definitiva para o Oriente Médio e mais como redução do prêmio de risco embutido nos preços.

O Estreito de Ormuz segue no centro dessa conta. A passagem é estratégica para a oferta global de energia, e qualquer sinal de bloqueio, restrição ou normalização do fluxo tem impacto imediato nas cotações. Como o entendimento entre Washington e Teerã ainda é preliminar, o mercado preserva parte da cautela: a queda do petróleo alivia a pressão, mas não encerra o risco geopolítico.

No Brasil, queda do petróleo ajuda, mas não muda a decisão do Copom sozinha

Para o Brasil, o efeito mais importante passa por combustíveis, fretes e custos de produção. Um petróleo mais barato reduz a pressão potencial sobre a inflação, mas o repasse ao consumidor não é automático. Além do preço internacional do barril, pesam o câmbio, a defasagem dos reajustes, a tributação e a política comercial das distribuidoras e da Petrobras.

A decisão desta semana do Comitê de Política Monetária do Banco Central ocorre nesse ambiente de alívio externo parcial, mas com inflação doméstica ainda desconfortável. O Relatório Focus mostra a projeção do IPCA de 2026 em 5,30%, acima da meta de 3%. A estimativa para o PIB está em alta de 1,96%, e a Selic projetada para 2028 aparece em 10,25%.

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Esse quadro limita o impacto imediato da queda do petróleo sobre a política monetária. O Banco Central tende a olhar não apenas o movimento de um dia nas commodities, mas a persistência da inflação, as expectativas do mercado e a capacidade de o choque externo se transformar em preços menores no Brasil.

Na prática, a queda do barril melhora o balanço de riscos, mas não entrega sozinha uma mudança de rota para os juros. Para que o alívio ganhe força, será preciso que o petróleo permaneça em patamar mais baixo, que o tráfego em Ormuz se normalize sem novos choques e que as expectativas de inflação parem de subir.

Acordo ainda precisa se sustentar

O ponto frágil da reação dos mercados é o caráter preliminar do acordo. O anúncio reduziu a percepção de risco, mas ainda depende de implementação e de desdobramentos políticos na região. Por isso, a mesma notícia que derrubou o petróleo também manteve investidores atentos a qualquer sinal de ruptura ou atraso na normalização das rotas de energia.

Até a decisão do Copom, três variáveis devem concentrar a atenção do mercado brasileiro: o preço do Brent, os sinais sobre Ormuz e a comunicação do Banco Central sobre inflação. O alívio desta segunda-feira existe, mas ainda precisa se transformar em tendência para chegar, de fato, ao bolso do consumidor e à curva de juros.