A Trisul mudou o comando executivo e promoveu João Eduardo de Azevedo Silva ao cargo de CEO. Ele substitui Jorge Cury Neto, que deixa a presidência da incorporadora e passa a presidir o conselho de administração.
A troca coloca no topo da companhia um executivo que já estava dentro da operação. João Eduardo entrou na Trisul em abril de 2024 como diretor de operações e assume a presidência pouco mais de um ano depois, em uma reorganização que preserva parte da continuidade administrativa, mas desloca o centro de decisão estratégica para uma nova composição de governança.
A mudança ocorre em um momento de atenção para a incorporadora, listada na B3 sob o código TRIS3. No quarto trimestre de 2025, a empresa registrou queda de 10% nas vendas, enquanto os lançamentos avançaram 0,6%. O Valor Geral de Vendas lançado no período chegou a R$ 930 milhões.
Escolha interna reforça foco em execução
João Eduardo é engenheiro civil formado pela Fundação Armando Alvares Penteado e tem MBA pela Universidade de Pittsburgh. Antes de chegar à Trisul, passou por Gafisa e Even, duas empresas conhecidas do mercado imobiliário.
O perfil do novo CEO aponta para uma escolha ancorada em execução. Em incorporadoras, a diretoria de operações acompanha etapas sensíveis do negócio: andamento de obras, controle de custos, lançamentos, velocidade de vendas e entrega de projetos. São áreas que pesam diretamente sobre margem, caixa e percepção de risco do investidor.
A promoção interna também reduz o grau de ruptura no comando. A Trisul não traz um executivo de fora para redesenhar a empresa de imediato; leva à presidência alguém que já participava da gestão e conhecia a carteira de projetos, o ritmo de lançamentos e os gargalos operacionais da companhia.
Jorge Cury Neto migra para o conselho
Com a saída da presidência executiva, Jorge Cury Neto passa a comandar o conselho de administração. A mudança não o afasta da estrutura de poder da Trisul; apenas desloca sua atuação para o órgão responsável por diretrizes de longo prazo, decisões estratégicas, alocação de capital e acompanhamento da diretoria.
Para o mercado, esse desenho costuma ser lido como uma transição com preservação de influência. O novo CEO assume a rotina executiva, enquanto o antigo presidente passa a ocupar a instância que supervisiona a estratégia e cobra resultados da gestão.
Queda nas vendas aumenta cobrança por resposta
O ponto de atenção para acionistas está na diferença entre lançamentos e vendas. A Trisul manteve volume relevante de projetos no quarto trimestre, mas vendeu menos. Essa distância importa porque indica a capacidade da empresa de transformar oferta em receita, reduzir estoque e preservar geração futura de caixa.
Em companhias do setor imobiliário, a velocidade de vendas influencia a necessidade de capital, o ritmo de novos empreendimentos e a leitura sobre demanda. Quando os lançamentos crescem pouco e as vendas recuam, investidores tendem a acompanhar com mais rigor a política de preços, o estoque pronto e em construção e a disciplina de custos.
A Trisul não informou, nas informações divulgadas sobre a reorganização, uma mudança de estratégia, metas ou plano de lançamentos. Por isso, a troca de comando chega ao mercado mais como ajuste de governança e sucessão executiva do que como anúncio de guinada operacional.
O efeito prático agora recai sobre a comunicação da companhia aos investidores e sobre os próximos indicadores operacionais. João Eduardo assume com a missão de provar que a continuidade interna basta para melhorar a conversão de lançamentos em vendas, enquanto Jorge Cury Neto passa a comandar o conselho que acompanhará essa cobrança.










