O publicitário Sérgio Silbel Soares Reis, criador de campanhas que ajudaram a formar a memória afetiva da propaganda brasileira, morreu aos 87 anos em Curitiba. A morte foi divulgada nesta segunda-feira (15). A causa não foi informada.
Reis ficou conhecido por transformar frases publicitárias em marcas populares. Seu nome aparece ligado a peças como “O tempo passa, o tempo voa”, do Bamerindus, além de “Bicho do Paraná” e “Gente que Faz”, campanhas que circularam para além do mercado publicitário e se tornaram parte da identidade visual e cultural paranaense.
A trajetória também passou pela política. Reis foi secretário do ex-governador de São Paulo Mário Covas, em uma carreira que combinou comunicação, gestão pública e construção de imagem institucional.
Do mercado publicitário à memória popular
Nascido em 1939, Sérgio Reis iniciou a carreira na década de 1960 e se mudou para o Paraná em 1968. A partir dali, consolidou uma atuação ligada à publicidade regional, mas com alcance nacional, especialmente nos anos 1980, quando trabalhou como diretor de marketing do Bamerindus.
Foi nesse ambiente que a propaganda bancária brasileira produziu um de seus bordões mais lembrados: “O tempo passa, o tempo voa”. A frase, associada ao Bamerindus, atravessou gerações e se tornou exemplo de slogan que escapou do intervalo comercial para entrar na fala cotidiana.
Nos anos 1990, Reis reforçou a ligação com o Paraná em campanhas como “Bicho do Paraná” e “Gente que Faz”. As peças exploravam orgulho local, pertencimento e linguagem direta, fórmula que ajudou a fixar sua assinatura como a de um publicitário interessado não apenas em vender produtos, mas em criar símbolos reconhecíveis pelo público.
Reconhecimento e passagem pela gestão pública
Ao longo da carreira, Reis recebeu prêmios e homenagens do setor. Em 2015, foi escolhido Personalidade do Ano pela Associação Brasileira de Propaganda. Também conquistou Leão de Ouro em Cannes, uma das distinções mais valorizadas da publicidade mundial.
A passagem pela administração de Mário Covas ampliou a presença de Reis fora das agências e dos departamentos de marketing. No governo paulista, levou para a gestão pública a experiência acumulada em comunicação institucional e construção de mensagens de grande alcance.
Sua morte encerra uma trajetória marcada por slogans que sobreviveram às campanhas para as quais foram criados. Na publicidade brasileira, Reis deixa a imagem de um profissional que entendeu cedo a força de uma frase simples quando ela encontra o imaginário do público.











