O álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 2026 deu tração incomum ao varejo de livros, jornais e revistas em maio. O segmento cresceu 13,4% ante abril e teve o melhor desempenho entre os oito grupos acompanhados pelo Índice de Varejo Stone, divulgado nesta segunda-feira (15).
Na comparação com maio de 2025, a alta foi de 15%, também a maior entre os setores medidos. O salto contrasta com o resultado do varejo como um todo, que recuou 0,8% na passagem mensal, embora ainda acumule avanço de 2,8% em 12 meses.
O desempenho chama atenção porque veio de uma categoria normalmente menos volátil do que áreas como vestuário, supermercados ou combustíveis. Em maio, porém, bancas, livrarias, mercados e pontos de venda populares passaram a receber a demanda de colecionadores pelo álbum da Copa, lançado em 1º de maio.
Figurinhas colocam o setor fora da curva em maio
A Copa de 2026, disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá, recolocou o álbum de figurinhas no centro de uma cadeia de consumo que vai além das bancas tradicionais. O produto circula também em livrarias, supermercados e lojas de conveniência, o que ajuda a explicar por que o impacto aparece dentro do varejo formal captado pelo índice.
O Índice de Varejo Stone mede a movimentação por segmento, mas não separa o quanto da alta veio especificamente de álbuns e figurinhas. Ainda assim, a coincidência entre o lançamento do produto e o salto de dois dígitos torna o efeito da Copa o principal fator econômico associado ao resultado do mês.
A leitura é de um impulso pontual, ligado a um evento de massa, sobre um setor que vinha sendo pressionado por mudanças no consumo de mídia impressa e pela migração de parte das vendas para canais digitais. Em maio, a procura por colecionáveis mudou a fotografia do segmento.
Varejo geral perde força na margem
O restante do varejo mostrou um quadro mais dividido. Além de livros, jornais e revistas, apenas três segmentos avançaram em maio: tecidos, vestuário e calçados subiram 2,6%; móveis e eletrodomésticos cresceram 1,5%; e hipermercados e supermercados tiveram alta de 0,9%.
Na ponta negativa, material de construção caiu 2,4%; artigos de uso pessoal e doméstico recuaram 1,6%; artigos farmacêuticos baixaram 1,1%; e combustíveis e lubrificantes cederam 0,8% no mês.
Com esse pano de fundo, a alta de 13,4% em livros, jornais e revistas ficou isolada no topo do indicador. A distância para o segundo melhor desempenho do mês, o avanço de 2,6% em vestuário e calçados, reforça o caráter excepcional do movimento.
Efeito aparece nas vendas, mas ainda não revela faturamento
Para empresas do setor, o dado sugere aumento de fluxo em uma categoria que combina publicações, material editorial e produtos colecionáveis. O índice, porém, divulga variações percentuais e não informa faturamento em reais, tíquete médio ou volume de unidades vendidas.
Isso limita a leitura sobre o peso do álbum no orçamento das famílias e sobre o ganho efetivo de bancas, livrarias e supermercados. O que se sabe é que, no recorte medido pela Stone, o segmento liderou o varejo nacional em maio tanto na comparação mensal quanto na anual.
O próximo teste será a continuidade da Copa. Se a procura por figurinhas se mantiver durante o torneio, o setor pode sustentar parte do ganho nos meses seguintes; se o pico tiver ficado concentrado no lançamento, a tendência é de acomodação nas próximas leituras do índice.











