O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de São Paulo aprovou na noite de segunda-feira (8) o fim da greve iniciada em 14 de abril, mas o resultado expõe um racha na comunidade acadêmica. Após 54 dias de paralisação, a assembleia registrou 323 votos pelo encerramento, 255 pela continuidade e 9 abstenções. A decisão recomenda o retorno às aulas, mas não obriga as unidades a retomarem imediatamente as atividades.
Desde abril, os estudantes exigiam melhorias no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), na qualidade da alimentação dos restaurantes universitários e nas condições das moradias do Conjunto Residencial da USP (Crusp). A principal bandeira era o reajuste do auxílio do PAPFE para R$ 1 mil. No mesmo dia 14 de abril, servidores técnico-administrativos também pararam, mas encerraram a greve em dez dias após aprovar proposta da reitoria — acordo que os alunos até agora não conseguiram replicar.
A mobilização já perdia força antes da votação. Unidades como Direito, a Escola Politécnica e a Faculdade de Medicina haviam retomado as aulas espontaneamente. A reitoria indicava que 24 unidades já funcionavam normalmente, enquanto 19 ainda registravam alguma paralisação.
A indefinição sobre o rumo do movimento se refletiu no placar apertado e voltou à tona nas primeiras horas desta terça-feira, quando a Polícia Militar retirou um grupo de estudantes que ocupava áreas da administração central do campus Butantã. Os manifestantes afirmam não ter vínculo com a direção do DCE e dizem que o protesto buscava pressionar a universidade sobre permanência estudantil e alimentação.
A decisão do DCE não impõe retorno imediato. Cada um dos 104 cursos que aderiram à greve deverá convocar assembleia própria para decidir sobre a retomada. Até o momento, a reitoria não publicou protocolo formal que sacramente as reivindicações nem apresentou calendário unificado de reposição de aulas.
Sem documento oficial que organize o segundo semestre, a comunidade acadêmica segue sem respostas sobre o impacto no calendário letivo. O vácuo da reitoria obriga cada um dos 104 cursos a decidir isoladamente sobre a retomada, enquanto as reivindicações de assistência estudantil seguem sem resposta institucional.











