A Apple abriu nesta segunda-feira (8) a sua Conferência Mundial de Desenvolvedores, a WWDC 2026, com Tim Cook no palco pela última vez como CEO. O sucessor já está nomeado — John Ternus, atual vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware, assume o cargo em 1º de setembro. Mas a despedida ficou marcada pela entrega que Cook não conseguiu fazer nos dois anos anteriores: uma Siri radicalmente reconstruída, agora alimentada por um modelo de linguagem da Google.
A Siri que custou US$ 1 bilhão por ano — e um acordo judicial de US$ 250 milhões
O núcleo da nova Siri é um modelo proprietário da Google com 1,2 trilhão de parâmetros, licenciado pela Apple a um custo reportado de aproximadamente US$ 1 bilhão por ano. É uma inversão significativa: a empresa que há décadas construiu sua identidade em cima de controle total da stack tecnológica decidiu terceirizar o coração da sua assistente pessoal.
O contexto ajuda a entender a urgência. Em maio deste ano, a Apple fechou um acordo de US$ 250 milhões com consumidores americanos que processaram a empresa por propaganda enganosa — a Siri com IA foi prometida no lançamento do iPhone 16, em setembro de 2024, mas ficou indisponível por quase dois anos. A WWDC 2026 era, portanto, muito mais do que uma conferência de desenvolvedores: era a entrega do produto que a empresa devia ao mercado.
O que muda na prática para quem tem iPhone
A nova Siri chega como aplicativo dedicado, com interface de chat estilo mensagens e histórico de conversas sincronizado via iCloud. Suporta comandos encadeados — é possível pedir múltiplas tarefas em uma só instrução — e pode redigir e-mails de forma autônoma.
Mais relevante para o mercado: o sistema de Extensions permite que o usuário escolha qual modelo de IA alimenta o Apple Intelligence. As opções no lançamento são ChatGPT (OpenAI), Gemini (Google) e Claude (Anthropic). Pela primeira vez na história, o Claude da Anthropic estará disponível como opção nativa dentro de um iPhone — o que coloca o modelo a menos de dois toques de 2,2 bilhões de dispositivos Apple no mundo.
iOS 27, iPhone 11 descartado e a virada de nomenclatura
Todos os sistemas operacionais da Apple migram para a numeração 27 — iOS 27, macOS 27, iPadOS 27, watchOS 27. O iOS 27 dá suporte a iPhones a partir do modelo 12; o iPhone 11 é oficialmente descontinuado da linha de atualizações. Para acessar os recursos de Apple Intelligence, o hardware mínimo é o iPhone 15 Pro ou qualquer modelo da série iPhone 16 em diante.
O iOS 27 Beta 1 foi disponibilizado para desenvolvedores ainda na tarde desta segunda, seguindo o padrão das edições anteriores da conferência.
A transição de liderança
Tim Cook está à frente da Apple desde agosto de 2011, quando substituiu Steve Jobs. Sob seu comando, a empresa mais do que quadruplicou de valor e se tornou a primeira a ultrapassar US$ 3 trilhões de capitalização de mercado. A WWDC 2026 é sua última conferência nesse papel. Ternus, engenheiro que liderou o desenvolvimento dos chips da série M, assume em setembro.








