A Academy of Medical Royal Colleges, entidade que reúne as principais instituições médicas britânicas, comparou os danos causados pelas redes sociais à saúde de jovens aos do tabagismo, em contribuição a uma consulta pública do governo do Reino Unido que se encerra nesta terça-feira (26).
A organização defende que médicos incluam, em consultas com pacientes jovens, perguntas sobre tempo de tela e uso de redes sociais — uma prática comparável, segundo a entidade, às recomendações sobre não fumar e usar cinto de segurança. Entre os 454 médicos consultados pela Academy, metade relatou tratar pelo menos uma criança por semana com angústia mental ou lesões físicas relacionadas a conteúdos na internet.
Familiares de vítimas cobram ações do governo britânico. Ellen Roome, mãe de Jools Sweeney, adolescente de 14 anos cuja morte a família acredita estar relacionada a um desafio viral em redes sociais, criticou a lentidão do governo em restringir o acesso de menores às plataformas.
Reino Unido avalia restrição para menores
A consulta pública britânica avalia restringir o acesso de menores de 16 anos a redes sociais. O debate sobre regulação digital se intensificou após a pandemia de COVID-19, com crescente preocupação sobre o impacto na saúde mental de adolescentes.
O movimento ganhou força em outros países. A Austrália aprovou, em dezembro de 2025, legislação que proíbe o uso de plataformas por menores de 16 anos, tornando-se o primeiro país a adotar a medida de forma abrangente.
A França, por meio da agência sanitária ANSES, emitiu alerta oficial em janeiro de 2026 sobre os riscos à saúde mental de adolescentes e recomendou idade mínima de 15 anos para uso de redes sociais.
Brasil discute atualização do ECA
No Brasil, o debate avança em nível legislativo com a discussão do chamado ECA Digital, proposta de atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente virtual. Pesquisa da ONG Family Talks indica que 72% dos brasileiros apoiam restrição de redes sociais para menores de 16 anos, enquanto 58,8% consideram que os prejuízos superam os benefícios.
Não há, até o momento, posicionamento oficial do Conselho Federal de Medicina ou de autoridades brasileiras sobre a proposta. O debate sobre regulação de redes sociais para menores permanece em estágio de consulta pública no Reino Unido e de tramitação legislativa no Brasil.










