terça-feira, 21 de julho de 2026
Publicidade
Rocco Basilico contesta assembleia da holding Delfin que concentrou poder em um dos filhos de Leonardo Del Vecchio e alterou dividendos.

Disputa familiar ameaça controle da EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban

Rocco Basilico contesta assembleia da holding Delfin que concentrou poder em um dos filhos de Leonardo Del Vecchio e alterou dividendos.

· 5 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Rocco Basilico, enteado do fundador, pede anulação de assembleia da holding Delfin.
  • Leonardo Maria Del Vecchio concentraria 37,5% da holding em negócio de €10 bi.
  • Nova política destina 80% do lucro a dividendos para financiar a compra.
  • Delfin controla 32% da EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban, avaliada em €80 bi.

Uma disputa familiar ameaça a estrutura de controle da EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban. Rocco Basilico, enteado do fundador Leonardo Del Vecchio, acionou a Justiça de Luxemburgo para anular uma reestruturação societária que concentra poder nas mãos de Leonardo Maria Del Vecchio, quarto filho do patriarca. O negócio, estimado em 10 bilhões de euros, foi aprovado em assembleia no dia 27 de abril, mas Basilico alega irregularidades.

Publicidade

A holding Delfin, sediada em Luxemburgo, administra a fortuna deixada por Del Vecchio, morto em 2022. Com 12,5% do capital votante, Basilico sustenta que o quórum exigido para a manobra era superior a 88%, e não os 75% utilizados na votação. Se o patamar mais elevado fosse respeitado, seus votos seriam suficientes para vetar a operação.

A ação judicial expõe fragilidades no pacto sucessório desenhado pelo fundador da Luxottica. A reestruturação aprovada altera a governança da Delfin e os direitos econômicos dos acionistas, com impacto direto sobre a distribuição de dividendos. Documentos do processo indicam que a assembleia violou regras estatutárias e configurou uma concentração indevida de poder.

Publicidade

O estopim da guerra familiar

A petição de Basilico pede a anulação de todas as decisões tomadas na assembleia. A principal delas é a transferência de participações de Luca e Paola Del Vecchio para Leonardo Maria, em um negócio de 10 bilhões de euros. Com a manobra, Leonardo Maria passaria a deter 37,5% da Delfin, tornando-se o maior acionista individual.

A reestruturação também redefine a política de dividendos da holding. Conforme os autos, 80% do lucro líquido anual da Delfin será destinado ao pagamento de proventos. O objetivo declarado é financiar a compra das fatias dos irmãos por Leonardo Maria. Basilico contesta a medida, alegando que ela reduz a capacidade de reinvestimento e beneficia desproporcionalmente um único herdeiro.

Publicidade

O litígio ameaça paralisar decisões estratégicas do grupo. A Delfin controla 32% da EssilorLuxottica, avaliada em mais de 80 bilhões de euros, dona de marcas como Ray-Ban e Oakley. Qualquer instabilidade na holding repercute diretamente na gestão da multinacional.

O que muda no controle da Delfin

Com a operação questionada, Leonardo Maria Del Vecchio consolida seu poder sobre o império óptico. Ele já ocupava cargo de direção na Delfin e agora assume uma fatia majoritária, reduzindo a participação dos demais herdeiros. A ação judicial argumenta que a votação ocorreu de forma irregular, sem respeitar os direitos dos acionistas minoritários.

Publicidade

A disputa revela o risco de concentração de poder em holdings familiares de capital fechado. A falta de mecanismos robustos de governança pode levar a impasses como o atual. A Delfin, peça-chave na estrutura do grupo, tem suas decisões agora sob escrutínio judicial.

A EssilorLuxottica, fruto da fusão entre a italiana Luxottica e a francesa Essilor, é líder global no setor óptico. A instabilidade na holding controladora pode afetar o valor de mercado da companhia e a confiança de investidores. O tribunal de Luxemburgo ainda não se manifestou sobre o caso.

Publicidade

Dividendos viram arma na disputa

A nova política de dividendos é um dos pontos mais sensíveis da ação. Ao destinar 80% do lucro líquido a proventos, a Delfin reduz sua capacidade de investimento e de reserva para contingências. Basilico sustenta que a medida foi desenhada para viabilizar a concentração de poder, e não para atender aos interesses de todos os acionistas.

A distribuição maciça de dividendos pode enfraquecer a holding no longo prazo. Com menos recursos para reinvestir, a Delfin pode perder flexibilidade estratégica, impactando a própria EssilorLuxottica. O litígio expõe fissuras profundas na família Del Vecchio e deve se arrastar por anos nos tribunais luxemburgueses.

Enquanto a batalha judicial não se resolve, a governança da gigante óptica permanece em xeque. A disputa bilionária mostra como heranças mal equacionadas podem ameaçar até os impérios mais sólidos.

Perguntas frequentes

Quem são as partes na disputa pela holding Delfin?

De um lado, Rocco Basilico, enteado do fundador Leonardo Del Vecchio, que detém 12,5% da Delfin. Do outro, Leonardo Maria Del Vecchio, quarto filho, que busca concentrar 37,5% da holding. A ação corre na Justiça de Luxemburgo.

Publicidade

O que a assembleia de 27 de abril aprovou?

Aprovou a transferência de participações de Luca e Paola Del Vecchio para Leonardo Maria, por €10 bilhões, e uma nova política de dividendos que destina 80% do lucro líquido anual a proventos, visando financiar a compra.

Qual o impacto da disputa para a Ray-Ban?

A Delfin controla 32% da EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban. A instabilidade na holding pode afetar a governança da multinacional e seu valor de mercado, além de paralisar decisões estratégicas do grupo.


Publicidade