O lenço, acessório que parecia ter ficado nos armários das avós, voltou com força total — e o culpado tem nome, sobrenome e um olhar glacial: Miranda Priestly. A continuação do icônico ‘O Diabo Veste Prada’, que estreou em 2026, não apenas trouxe de volta a tirana editora de moda interpretada por Meryl Streep, como reacendeu a febre pelo acessório que ela usa com maestria em diversas cenas. Dados de buscas online mostram um salto de 200% no interesse por lenços de seda e estampados nas semanas seguintes ao lançamento do trailer. O mercado global do item, avaliado em US$ 2,1 bilhões em 2024, deve crescer 5,8% ao ano até 2030, segundo a Business Research Insights.
A relação entre cinema e moda não é
A relação entre cinema e moda não é novidade, mas ‘O Diabo Veste Prada 2’ elevou essa sinergia a outro patamar. A figurinista Patricia Field, que retornou para a sequência após o sucesso do primeiro filme, revelou à Vogue Brasil que os lenços foram uma escolha deliberada para mostrar a evolução de Miranda. “Ela não precisa mais provar nada. O lenço é um símbolo de poder silencioso, de quem domina o jogo sem esforço”, explicou Field. No longa, o acessório aparece em diferentes amarrações: na cabeça, no pescoço, na bolsa e até na cintura, antecipando o que as passarelas já vinham sinalizando.
A tendência, no entanto, não surgiu do nada. Desde 2024, marcas como Hermès — que anunciou aumento de preços de até 7% em seus lenços nos EUA em 2025, refletindo a demanda aquecida — e grifes emergentes vinham apostando no retorno do acessório. “O lenço é a peça mais democrática da moda. Ele transita entre o luxo e o acessível, e isso explica sua longevidade”, afirmou a consultora de estilo Luiza Brasil, em entrevista ao Steal The Look. Nas redes sociais, influenciadores já mostravam novas formas de usar o item, mas foi o filme que catalisou a tendência, transformando o lenço em objeto de desejo para uma nova geração.
Impacto
O fenômeno vai além do guarda-roupa. Dados do Google Trends mostram que, no Brasil, as buscas por “lenço de seda” e “amarrações de lenço” atingiram picos históricos em março de 2026, mês de estreia do filme. No varejo, plataformas como a Dafiti registraram aumento de 150% nas vendas da categoria em comparação ao mesmo período do ano anterior. A estilista Isa Isaac Silva, da marca paulistana Nalimo, que já trabalhava com lenços reciclados e estampas autorais, viu seu faturamento triplicar após o lançamento. “O filme mostrou que o lenço não é só um acessório de madame. Ele pode ser urbano, descolado, político”, disse Silva ao Terra.
O impacto também se reflete na sustentabilidade. Em um mercado cada vez mais pressionado por práticas ESG, os lenços surgem como alternativa versátil e durável, em contraste com a moda rápida. “Um bom lenço de seda pode durar décadas e ser usado de dezenas de maneiras. É o oposto do descartável”, explicou a pesquisadora de tendências Camila Yunes, da Vogue Brasil. A publicação destacou o acessório como uma das 10 tendências que continuariam em alta em 2025, citando sua presença em desfiles de Miu Miu, Gucci e Bottega Veneta.
A febre, porém, não é isenta de críticas. Especialistas apontam que a “mirandização” da moda pode reforçar padrões elitistas, já que lenços de grife custam centenas de dólares. Ainda assim, a popularização de versões acessíveis e o DIY (faça você mesmo) têm ampliado o alcance. “O lenço é um canvas em branco. Você pode customizar, bordar, transformar. É sobre expressão pessoal, não sobre etiqueta”, defendeu a influenciadora Mari Maria, em tutorial que viralizou no TikTok. Enquanto Miranda Priestly dita as regras nas telas, nas ruas o lenço se torna um manifesto de estilo — e de consumo consciente.











