O médico Silvano Raia, pioneiro dos transplantes no Brasil, morreu em 28 de abril de 2026, aos 95 anos. Ele realizou o primeiro transplante de fígado da América Latina em 1985 e criou a técnica de transplante intervivos em 1988, publicada na revista The Lancet.
O legado de Raia vai além da cirurgia: ele ajudou a estruturar o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), hoje o maior programa público do mundo, com cerca de 25 mil procedimentos anuais. A morte, no entanto, reacende o debate sobre a desigualdade regional no acesso a transplantes no SUS.
Na região de Piracicaba, pacientes enfrentam longas filas e deslocamentos de até 200 km para centros como São Paulo e Ribeirão Preto. A fila por um fígado no estado tem mais de 1.200 pessoas, com espera média superior a 18 meses, segundo a Central de Transplantes do Estado.
O legado de Silvano Raia para a medicina brasileira
Silvano Raia deixou um legado que transformou a medicina brasileira e mundial. Em 1985, realizou o primeiro transplante de fígado da América Latina; em 1988, o primeiro transplante intervivos do mundo, técnica que ampliou o acesso a órgãos.
“Ele não era apenas um cirurgião excepcional, mas um visionário que mostrou ao mundo que o Brasil podia liderar a fronteira do conhecimento em transplantes”, afirmou a Academia Nacional de Medicina (ANM) em nota oficial.
A técnica de transplante intervivos, em que o doador é vivo, salvou milhares de vidas e tornou-se referência global. O feito foi reconhecido com prêmios da ANM e publicação na The Lancet.
A criação do Sistema Nacional de Transplantes e o papel de Raia
Silvano Raia ajudou a estruturar o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do SUS, hoje o maior programa público de transplantes do mundo. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil realiza cerca de 25 mil transplantes por ano, mas as filas de espera persistem.
Raia também influenciou a Lei 9.434/97, que regulamenta o sistema. “A legislação brasileira é uma das mais avançadas do mundo, mas precisa ser acompanhada de infraestrutura adequada”, declarou o médico em entrevista registrada pela FAPESP. A lei estabelece lista única e gratuidade, pilares do SNT.
Na prática, a oferta de órgãos varia muito entre estados. Enquanto São Paulo concentra a maior parte dos procedimentos, regiões como o interior paulista dependem de deslocamentos para centros maiores. O legado de Raia inclui protocolos que tornaram o sistema mais eficiente, mas o desafio da equidade permanece.
Desafios regionais: filas e desigualdade no acesso a transplantes
A morte de Silvano Raia reacende o debate sobre a desigualdade regional no acesso a transplantes no SUS. Dados do Ministério da Saúde mostram que Sudeste e Sul concentram mais de 70% dos procedimentos, enquanto Norte e Nordeste têm filas que chegam a triplicar o tempo de espera nacional.
Na região de Piracicaba, pacientes dependem de hospitais em São Paulo e Ribeirão Preto, viajando até 200 km para avaliação e cirurgia. A fila para transplante de fígado no estado tem mais de 1.200 pessoas, com espera média superior a 18 meses, segundo a Central de Transplantes do Estado. Para rim, a espera pode ultrapassar três anos.
“Precisamos descentralizar os centros transplantadores e ampliar a captação de doadores no interior”, afirmou o hepatologista Paulo Lisboa, da Sociedade Brasileira de Hepatologia, em entrevista à Agência Fapesp.
O Brasil tem um dos maiores sistemas públicos de transplantes do mundo, mas a concentração em capitais e a baixa notificação de potenciais doadores em cidades médias como Piracicaba limitam o acesso. O Ministério da Saúde lançou em 2025 um plano de regionalização, mas especialistas cobram mais agilidade na implementação.
Linha do tempo
- 28/04/2026 — , aos 95 anos, vítima de problemas pulmonares
- 28/04/2026 — , confirmada pela Academia Nacional de Medicina (ANM) [2][8]
- 16/05/1991 — , ocupando a Cadeira nº 30










