A Telefônica Brasil, dona da Vivo, divulga nesta segunda-feira (27), em São Paulo, lucro líquido de R$ 1,573 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta anual de 17%.
No balanço financeiro do período, a companhia informou receita operacional líquida de R$ 15,757 bilhões, Ebitda de R$ 6,581 bilhões e margem Ebitda de 41,8%. O resultado mostra avanço no lucro, mas não resolve sozinho a dúvida central para investidores: quanto veio da operação recorrente e quanto depende de efeitos financeiros ou não recorrentes.
O contraponto aparece no caixa. A Telefônica Brasil registrou fluxo de caixa livre de R$ 2,661 bilhões, queda anual de 10,7%, conforme dados reportados pela imprensa financeira em relato sobre o resultado. O valor preciso do lucro é R$ 1,573 bilhão, embora parte da cobertura tenha arredondado o número para R$ 1,6 bilhão, como em publicação do Valor.
A companhia também informou investimentos de R$ 2,589 bilhões no trimestre e dívida líquida de R$ 10,998 bilhões. Na operação, a base móvel chegou a 105 milhões de clientes, enquanto a fibra alcançou 8,2 milhões de clientes.
Fibra, móvel e concessão explicam a fotografia do trimestre
O desempenho operacional sustenta parte da leitura do balanço. Christian Gebara, diretor-presidente da Telefônica Brasil, disse que a empresa adicionou 786 mil clientes líquidos no pós-pago no segundo trimestre de 2026, volume 14% superior ao do mesmo trimestre de 2025, em declaração registrada pelo Valor.
Em 2025, a Telefônica Brasil formalizou a migração do regime de concessão da telefonia fixa para o de autorização, mudança que reduziu obrigações regulatórias e liberou ativos físicos para desinvestimento. A decisão amplia uma agenda acompanhada pelo PIRANOT em 2025, quando a empresa concluiu a mudança de regime.
A sequência recente inclui o início, em 20 de julho de 2026, do processo de venda de 47 imóveis no Estado de São Paulo, avaliados em R$ 600 milhões. Esse movimento se conecta à saída gradual da estrutura legada de telefonia fixa e ao uso de ativos físicos que deixaram de ser centrais na operação.
Na frente comercial, Gebara afirmou que, em cidades pequenas, a Vivo atua como ponto de tecnologia na ausência de outro varejista relevante, conforme entrevista publicada pelo Valor. A fala ajuda a explicar por que a companhia relaciona telecom, fibra, móvel e venda de eletrônicos dentro da mesma base de clientes.
Venda de ativos e detalhes fiscais ficam para as próximas divulgações
O encaminhamento confirmado é a venda dos 47 imóveis em São Paulo, iniciada em 20 de julho de 2026, com avaliação de R$ 600 milhões. A companhia ainda terá de detalhar, em novas publicações oficiais, o efeito final da monetização de ativos ligados à antiga estrutura de telefonia fixa.
Também permanece dependente de divulgação oficial o impacto final da venda da rede de cobre nas contas da operadora até 2028. As fontes disponíveis não detalham o impacto tributário específico que elevou a linha de impostos em 46%, nem o cronograma exato de desativação das centrais de cobre.
Para o mercado, os próximos documentos da Telefônica Brasil devem separar melhor três pontos: recorrência do lucro, efeito dos desinvestimentos e ritmo de conversão do Ebitda em caixa. Até lá, o número central do trimestre é o lucro líquido de R$ 1,573 bilhão, com avanço anual de 17%.












