O governo Lula vê risco de interferência externa nas redes durante as eleições brasileiras de 2026 após Donald Trump e Javier Milei defenderem Flávio Bolsonaro (PL).
Integrantes do governo e da coordenação da pré-campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interpretaram a ofensiva dos presidentes dos Estados Unidos e da Argentina em favor da candidatura de Flávio como tentativa de interferência estrangeira.
O Itamaraty reagiu no campo diplomático: o chanceler Mauro Vieira convocou o embaixador argentino Daniel Raimondi para transmitir o repúdio do governo brasileiro às declarações de Milei em São Paulo. A preocupação com as redes sociais, porém, não veio acompanhada de comprovação material pública de uma estrutura de interferência externa digital ativa.
Milei apoia Flávio em São Paulo e amplia tensão
A sequência começou em 25 de julho de 2026, quando Javier Milei discursou em evento político em São Paulo em apoio a Flávio Bolsonaro. No dia seguinte, 26 de julho, o Itamaraty chamou o embaixador brasileiro na Argentina para consultas após as declarações do presidente argentino.
O chanceler Mauro Vieira classificou as declarações de Milei como “inaceitáveis” e definiu a visita do presidente argentino como “uma interferência em assuntos domésticos, em assuntos nacionais”. A formulação desloca a disputa política para o campo da soberania nacional.
A leitura do governo também se conecta a uma disputa recente sobre redes e campanha. Em julho de 2026, o PIRANOT mostrou que Haddad acusou Flávio e Trump de quererem privatizar o Pix, mas não havia projeto concreto. A controvérsia já expunha a pressão de narrativas digitais sobre temas de alto alcance público.
Argentina responde com cobrança sobre visita de Lula
O contraponto argentino veio pela conta de X da Oficina de Resposta Oficial, que publicou: “Memoria: Lula vino a la Argentina en 2025 a dos meses de las elecciones”. A mensagem compara a presença de Lula na Argentina, em 2025, com a visita de Milei ao Brasil, em 2026.
A Casa Rosada tenta enquadrar a crítica brasileira como seletiva. A Oficina de Resposta Oficial da Argentina e o chefe de gabinete Diego Santilli justificaram as falas de Milei apontando que Lula teria interferido na política interna argentina ao visitar Cristina Kirchner em 2025.
Do lado brasileiro, a reação oficial registrada é a manifestação de Vieira e a convocação do embaixador argentino Daniel Raimondi. O governo brasileiro trata as declarações de Milei como ingerência em assunto doméstico; o governo argentino responde que Lula já teria interferido na política do país vizinho.
Repúdio brasileiro mantém tensão no campo diplomático
A convocação de Daniel Raimondi formaliza o repúdio brasileiro e mantém o atrito no plano diplomático. No campo digital, a preocupação do governo ainda não se traduziu em medida específica sobre plataformas, redes sociais ou investigação técnica relacionada à eleição de 2026.
A consequência imediata permanece concentrada na relação entre os dois governos: o Brasil classifica as declarações de Milei como interferência, enquanto a Argentina sustenta a comparação entre a visita do presidente argentino ao Brasil em 2026 e a ida de Lula ao país vizinho em 2025.












