Investidores do Tesouro Direto precisam comparar a taxa anunciada com o rendimento líquido, porque impostos e custos reduzem o valor resgatado.
A diferença importa porque a taxa exibida na aplicação não equivale, necessariamente, ao dinheiro que chega ao bolso. A conta deve considerar Imposto de Renda, taxa de custódia da B3 e, em alguns casos, IOF e taxa de administração cobrada pela corretora.
O contraponto mais simples está na poupança: o Banco Central do Brasil informa que o período de rendimento é o mês corrido, contado da data de aniversário da conta de depósito de poupança para pessoas físicas. No Tesouro Direto, a comparação exige olhar o retorno líquido depois dos custos.
Taxa exibida não resume o ganho do título público
O Tesouro Direto facilita o acesso de pessoas físicas a títulos públicos federais, emitidos pelo Tesouro Nacional.
A alíquota máxima de Imposto de Renda é de 22,5% nos resgates até 180 dias, enquanto a mínima é de 15% nos resgates após 720 dias. Esses percentuais reduzem o ganho bruto antes de o investidor comparar o resultado com outras aplicações ou com a inflação.
A taxa de custódia anual da B3 também entra na conta. Para o Tesouro Selic, há limite de isenção de custódia até R$ 10.000,00. Fora das condições de isenção, o custo diminui o rendimento líquido recebido.
O tema acompanha a expansão recente do produto. Em junho de 2026, o Tesouro Direto bateu recorde histórico de emissão líquida em maio, sinal de maior presença do investidor pessoa física nesse mercado.
Custos mudam a conta do orçamento familiar
O impacto no orçamento aparece quando o investidor compara uma taxa bruta com uma renda disponível. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que, em 2025, o rendimento médio mensal real de todas as fontes da população residente com rendimento no Brasil alcançou R$ 3.367, maior valor da série histórica.
Para esse investidor, uma aplicação de R$ 10.000,00 no Tesouro Selic fica perto de três rendimentos médios mensais de 2025. Por isso, a diferença entre rentabilidade nominal e líquida não é detalhe técnico: ela altera a comparação entre manter o dinheiro aplicado, resgatar ou escolher outro produto.
Na prática, Imposto de Renda, custódia da B3 e, em alguns casos, IOF e taxa de administração cobrada pela corretora reduzem a rentabilidade líquida. O IOF incide apenas nos resgates realizados nos primeiros 30 dias e segue uma tabela regressiva que zera no 30º dia. A taxa anunciada no momento da aplicação, portanto, deve ser lida como ponto de partida, não como valor final recebido.
Outro cuidado é separar rentabilidade nominal acumulada de rentabilidade anualizada. Confundir essas duas medidas pode levar o investidor a comparar títulos e indicadores em bases diferentes, especialmente quando o prazo de aplicação não coincide com o prazo usado na taxa exibida.
Há ainda o efeito da marcação a mercado. A venda antecipada de títulos prefixados ou indexados à inflação, os IPCA+, expõe o investidor a oscilações de preço e pode resultar em rendimento inferior ao contratado ou perda de capital.
O que verificar antes de investir
O próximo passo para o investidor é verificar, antes da aplicação, quais custos incidem no título, no prazo escolhido e no valor aplicado. A comparação deve considerar as regras vigentes do Tesouro Direto, da B3 e da Receita Federal, além das condições publicadas por cada intermediário.
A taxa contratada serve de referência para quem leva o título ao vencimento. Antes disso, o preço de mercado determina o valor da venda de títulos prefixados e IPCA+, enquanto impostos e custos continuam reduzindo o montante líquido recebido.












