O Boletim Focus manteve a projeção para o dólar no fim de 2026 em R$ 5,20 pela quarta semana consecutiva e reduziu a estimativa para a inflação oficial no mesmo ano, de 5,30% para 5,16%. A leitura combina alívio parcial no IPCA com uma mensagem menos confortável para a política monetária: a mediana para a Selic continuou em 14% ao ano.
O número do câmbio indica que o mercado ainda não incorporou, na mediana, uma deterioração adicional para o real em 2026. A estabilidade vem depois de semanas em que estimativas de curto prazo passaram a mostrar mais pressão sobre o dólar, mas sem deslocar a projeção central captada pelo Focus.
A queda da inflação esperada é o dado mais favorável do boletim. Ainda assim, o IPCA projetado em 5,16% segue acima do teto da meta, de 4,5%, e distante do centro de 3%. Isso ajuda a explicar por que a melhora na inflação não se traduziu, por ora, em uma expectativa de juros menores no fim do período.
Dólar estável reduz ruído, mas não muda o cenário de juros
Para empresas importadoras, exportadores e companhias com dívida em moeda estrangeira, a manutenção do dólar em R$ 5,20 dá uma referência mais previsível para contratos e planejamento financeiro. A projeção, porém, não aponta uma reversão clara do câmbio: ela apenas mostra que a mediana do mercado parou de subir no horizonte de 2026.
O quadro fica mais duro quando a inflação e a Selic entram na conta. Com o IPCA ainda acima da banda superior da meta e a taxa básica projetada em 14%, o Focus sinaliza que os analistas continuam vendo pouco espaço para afrouxamento monetário rápido. A melhora de 5,30% para 5,16% alivia a pressão, mas não resolve o problema central: a inflação projetada segue incompatível com uma convergência plena à meta.
Projeções longas mostram dólar mais alto até 2029
Nos anos seguintes, o Focus mostra uma trajetória de alta gradual do dólar. Para 2027, a mediana permaneceu em R$ 5,28, o mesmo valor da semana anterior; há quatro semanas, estava em R$ 5,25. Para 2028, a projeção recuou levemente, de R$ 5,35 para R$ 5,34, mas continua acima dos R$ 5,30 vistos um mês antes.
Para 2029, a estimativa ficou em R$ 5,40 pela quarta semana seguida. A sequência sugere um mercado sem choque imediato na mediana do câmbio, mas também sem aposta em valorização relevante do real no médio prazo.
A fotografia do Focus, portanto, é de estabilidade com cautela. O dólar de 2026 permanece travado em R$ 5,20, a inflação esperada melhora, mas a Selic em 14% mostra que o mercado ainda vê a política monetária pressionada pela distância entre o IPCA projetado e a meta perseguida pelo Banco Central.











