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Economia

Corrida por terras raras leva pedidos à ANM a 3 mil e pressiona orçamento

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Requerimento de pesquisa é etapa anterior à autorização de lavra.
  • ANM registrou 401 solicitações nos cinco primeiros meses de 2026.
  • Entre 1975 e 2020, foram 476 pedidos ligados a esses minerais.
  • Elementos são usados em ímãs, baterias, turbinas e defesa.
  • Ceará, Minas Gerais e Goiás concentram parte relevante da corrida.

A corrida por terras raras no Brasil chegou ao balcão da Agência Nacional de Mineração. Desde 2023, a ANM recebeu cerca de 3 mil pedidos de autorização de pesquisa para esses minerais, um salto que muda a escala da demanda sobre a regulação mineral e expõe a fragilidade orçamentária do órgão.

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O avanço não significa abertura de minas nem produção garantida. O pedido de pesquisa é a primeira etapa formal para estudar o potencial de uma área. Antes de uma eventual lavra, o projeto ainda precisa passar por análise técnica, viabilidade econômica, licenciamento ambiental e novas autorizações públicas.

Mesmo assim, a pressão administrativa é expressiva. Entre 1975 e 2020, a agência contabilizou 476 pedidos associados a terras raras. De 2023 ao início de junho de 2026, o número informado chegou a aproximadamente 3 mil requerimentos. Apenas nos cinco primeiros meses de 2026 foram 401 pedidos, volume próximo a 84% de tudo o que havia sido registrado em 45 anos.

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Minerais estratégicos viram disputa econômica

As terras raras reúnem 17 elementos químicos usados em ímãs de alta potência, turbinas eólicas, baterias, veículos elétricos, eletrônicos, equipamentos médicos e aplicações de defesa. A demanda ganhou força com a transição energética, a reorganização de cadeias industriais e a busca de países e empresas por fornecedores fora dos polos tradicionais de produção.

O Brasil aparece nesse mapa porque detém uma das maiores reservas conhecidas desses minerais. A disputa por áreas de pesquisa tem avançado em estados como Ceará, Minas Gerais e Goiás, onde há concentração relevante de requerimentos. O interesse, porém, ainda está na fase de prospecção: a maior parte dos projetos minerais não se transforma em mina.

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Essa diferença é central para medir o alcance da notícia. O salto nos pedidos revela apetite por áreas e expectativa de mercado, não uma explosão imediata de produção, exportação ou investimento contratado. O gargalo agora está na capacidade do Estado de separar projetos consistentes de requerimentos especulativos e de acompanhar o que for autorizado.

Bloqueio de verba ameaça análise e fiscalização

A ANM depende de orçamento e equipe técnica para examinar os requerimentos, conceder autorizações de pesquisa, acompanhar trabalhos de campo e fiscalizar a atividade mineral. Com bloqueios de verba, a agência afirma que pode ter prejuízo operacional justamente no momento em que a demanda por análise cresce.

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O risco prático aparece em duas frentes. Para as empresas, uma fila maior aumenta a incerteza sobre quais projetos poderão avançar e em que prazo. Para o interesse público, uma agência com menor capacidade operacional tende a fiscalizar menos áreas e a responder mais lentamente a um setor que envolve patrimônio mineral, arrecadação e impacto ambiental.

A agência não detalhou o valor do bloqueio orçamentário nem apresentou prazo para escoar a fila de processos. Sem esses dados, ainda não é possível dimensionar quantos requerimentos podem sofrer atraso. O que já está claro é o descompasso entre a nova procura por minerais críticos e a estrutura disponível para regular esse movimento.

Fila testa ambição do Brasil em minerais críticos

O tema ganhou peso na política industrial porque minerais críticos passaram a ser tratados como insumos estratégicos para energia, tecnologia e defesa. Países que conseguem mapear reservas, autorizar pesquisas com segurança e fiscalizar a exploração têm mais chance de atrair investimentos de longo prazo.

No caso brasileiro, a oportunidade vem acompanhada de um teste institucional. A fila de requerimentos pode ajudar o país a conhecer melhor seu potencial mineral, mas só terá efeito econômico se a análise avançar com critérios técnicos, fiscalização e previsibilidade regulatória.

Enquanto a ANM trabalha com restrição de verba, a consequência imediata é uma disputa mais intensa por áreas de pesquisa e uma máquina pública pressionada para decidir quem avança, onde pesquisa e sob quais condições.