A Neoenergia Coelba anunciou um pacote de R$ 3,2 bilhões para ampliar e modernizar a infraestrutura elétrica no Oeste da Bahia, região que concentra parte relevante da expansão agrícola do estado e enfrenta pressão crescente por energia para irrigação, armazenagem e processamento da produção.
O plano foi apresentado durante a Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, principal vitrine do agronegócio baiano. A companhia também inaugurou uma subestação no município, tratada como o primeiro marco público do novo ciclo de investimentos na região.
Até 2030, a concessionária prevê aplicar os recursos em modernização da rede, construção e ampliação de subestações e expansão de linhas de distribuição. A meta anunciada é elevar em 93% a capacidade de atendimento no Oeste baiano e entregar 25 subestações novas ou ampliadas.
Pacote mira o gargalo elétrico da produção rural
O investimento mira um dos pontos mais sensíveis para produtores da região: a oferta de energia em escala compatível com a expansão das lavouras irrigadas, dos armazéns, das unidades de beneficiamento e da agroindústria. No Oeste baiano, onde a produção de grãos avançou nas últimas décadas, a rede elétrica passou a ser parte central da disputa por competitividade.
A demanda não se limita à ligação de novas propriedades. Sistemas de irrigação, secadores, silos, pivôs centrais e estruturas de processamento exigem fornecimento estável e capacidade de carga maior. Sem esse reforço, projetos produtivos podem atrasar ou operar abaixo do potencial, especialmente em áreas afastadas dos centros urbanos.
A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia, a Aiba, também levou ao governo federal um estudo sobre demandas eletroenergéticas do Oeste do estado. O documento foi entregue em 15 de junho aos ministérios de Minas e Energia, da Integração e do Desenvolvimento Regional e da Agricultura, em mais um movimento para colocar a infraestrutura elétrica no centro da agenda do campo baiano.
Investimento regional integra plano maior na Bahia
O pacote de R$ 3,2 bilhões para o Oeste faz parte de um plano mais amplo da Neoenergia na Bahia, estimado em R$ 25 bilhões. No país, o novo ciclo de investimentos em distribuição da companhia deve alcançar R$ 50 bilhões entre 2026 e 2030.
A escala dos números indica que a empresa tenta responder a dois movimentos simultâneos: a necessidade de reforçar a rede em áreas urbanas e industriais e a pressão de regiões agrícolas que passaram a demandar energia em padrão mais próximo ao de polos produtivos intensivos.
No caso do Oeste baiano, a promessa de expansão elétrica tem efeito direto sobre a capacidade de planejamento dos produtores. Obras de subestações e linhas de distribuição costumam definir onde novos projetos de irrigação, armazenagem e beneficiamento conseguem sair do papel com menor risco operacional.
Execução até 2030 define impacto para produtores
A concessionária informa que os investimentos serão executados até 2030. O impacto prático para cada área produtiva dependerá da sequência de obras, da localização das subestações e da capacidade das novas linhas de atender fazendas, armazéns e empreendimentos agroindustriais.
Por ora, o anúncio coloca a infraestrutura elétrica do Oeste baiano em um novo patamar de prioridade. A entrega das subestações e a ampliação da rede serão o teste concreto para saber se o pacote conseguirá acompanhar o ritmo de crescimento do agronegócio na região.








