Uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Civil apreendeu R$ 341 mil em espécie, cinco armas e 11 celulares nesta quinta-feira (18), em endereços ligados ao deputado estadual Val Ceasa, do PRD.
A ofensiva cumpriu 14 mandados de busca e apreensão e mira suspeitas de favorecimento ao Terceiro Comando Puro, uma das principais facções criminosas do Rio. Além do parlamentar, aparecem entre os alvos o ex-vereador Ulisses Marins e o ex-assessor parlamentar Michael Johnny Vianna de Azevedo.
Val Ceasa nega ligação com facção criminosa e afirma ser vítima de perseguição política. O deputado é investigado, não condenado, e terá direito de contestar as suspeitas no curso do procedimento.
Busca coloca mandato estadual no centro de suspeita sobre facção
O peso político da operação está no perfil dos alvos. A investigação não se limita a endereços associados ao crime comum: envolve um deputado estadual em exercício, um ex-vereador e um ex-assessor, todos vinculados, em momentos diferentes, à vida institucional do Rio.
Para os investigadores, a suspeita é que pessoas com trânsito na política tenham atuado em benefício de interesses do TCP. A facção disputa territórios no estado e mantém influência em comunidades, rotas de circulação e economias ilegais.
O caso também reacende a pressão sobre a Assembleia Legislativa do Rio, que já conviveu com operações e investigações sobre a infiltração de milícias e facções em estruturas públicas. A apreensão de dinheiro, armas e celulares aumenta o alcance potencial das diligências porque pode revelar contatos, deslocamentos, transações e vínculos entre os investigados.
Val Ceasa já havia sido citado em interceptações relacionadas ao Comando Vermelho, facção rival do TCP, em episódio no qual o chefe conhecido como Doca teria sugerido cooptá-lo. A menção anterior não equivale a condenação, mas reforça o grau de interesse das autoridades sobre a circulação de agentes políticos em áreas de influência de grupos criminosos.
Dinheiro, armas e celulares podem definir os próximos passos
A etapa desta quinta-feira foi apresentada como cumprimento de mandados de busca e apreensão. Não houve informação de prisão de Val Ceasa, de Ulisses Marins ou de Michael Johnny Vianna de Azevedo na operação.
Os 11 celulares apreendidos tendem a ser uma frente decisiva. Em investigações desse tipo, aparelhos podem indicar conversas, agendas, localização, redes de contato e eventual relação entre decisões políticas, pedidos de intermediação e interesses de grupos criminosos.
As cinco armas e o dinheiro em espécie também serão analisados para esclarecer origem, posse e eventual conexão com os fatos investigados. A partir desse exame, Ministério Público e Polícia Civil podem pedir novas diligências, medidas cautelares ou arquivamento de pontos que não encontrem sustentação.
Por ora, a consequência imediata é a entrada formal dos itens apreendidos no procedimento. O avanço do caso dependerá do que celulares, armas e valores revelarem sobre a suspeita de favorecimento ao TCP e sobre a participação de cada investigado.











