Hidenori Furuta renunciou à presidência do conselho da Fujitsu nesta terça-feira (16), após a companhia informar que confirmou uma “conduta imprópria relacionada a mulheres”. A empresa também retirou a candidatura do executivo a diretor não executivo na assembleia anual de acionistas.
A Fujitsu não detalhou a natureza do episódio. Ao manter a descrição genérica do caso, a companhia preserva parte das informações sob sigilo, mas confirma o ponto central da crise: o afastamento do principal nome do conselho ocorre por uma questão de conduta, não por reorganização ordinária ou mudança planejada de gestão.
A saída tem peso adicional porque Furuta era um executivo formado dentro da própria Fujitsu. Antes de assumir a presidência do conselho, em 2024, ele ocupou funções de alto escalão na empresa, incluindo postos ligados à operação, à tecnologia e à direção executiva.
Renúncia atinge governança às vésperas da assembleia
A Fujitsu é uma das maiores empresas de tecnologia do Japão, com presença em serviços digitais, infraestrutura corporativa e soluções para governos e grandes companhias. Por isso, a renúncia do presidente do conselho não se limita a uma troca nominal: ela atinge a instância responsável por supervisionar a estratégia e a administração da empresa.
O momento aumenta a pressão. A assembleia anual de acionistas está prevista para o fim de junho, e Furuta já não será apresentado como candidato a diretor não executivo. A retirada da candidatura obriga a companhia a chegar ao encontro com investidores sem o nome que, até então, ocupava o comando do conselho.
No mercado, a reação inicial foi contida: as ações da Fujitsu avançaram 0,2% após o anúncio. O movimento indica que investidores não precificaram, de imediato, uma ruptura operacional, mas a crise coloca a reputação da companhia e seus mecanismos de governança sob escrutínio.
Companhia ainda precisa definir sucessão
A empresa não anunciou um plano de sucessão para a presidência do conselho. Esse será o ponto prático mais relevante nas próximas semanas: definir quem assume a liderança do colegiado e como a Fujitsu pretende demonstrar estabilidade institucional depois da saída de um executivo de carreira.
Por ora, a decisão formal já está tomada. Furuta deixa o comando do conselho, fica fora da eleição para diretor não executivo e a Fujitsu chega à assembleia anual com a tarefa de reorganizar sua liderança sem ampliar o dano reputacional provocado pelo caso.











