segunda-feira, junho 15
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Política

Haddad cobra Tarcísio por sigilo de 100 anos em contrato da Linha 6

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Sigilo envolve documentos ligados a gasto adicional de R$ 3,7 bilhões na obra.
  • Governo paulista atribui custo extra a condição geotécnica não prevista.
  • Base legal e ato que autorizou bloqueio por um século não foram divulgados.
  • Linha 6-Laranja acumula atrasos e problemas contratuais desde gestões anteriores.
  • Caso amplia disputa política sobre transparência em concessões e privatizações.

Fernando Haddad elevou o tom contra Tarcísio de Freitas ao criticar o sigilo de 100 anos imposto a documentos ligados à Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo. A fala ocorreu nesta segunda-feira (15), durante o Fórum Rumos do Brasil, na capital paulista, e colocou no centro da disputa política um contrato bilionário de infraestrutura do governo estadual.

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O ponto de atrito é um acréscimo de R$ 3,7 bilhões associado à obra. O governo paulista atribui o valor a uma superveniência geotécnica, expressão usada em contratos para indicar uma condição de solo ou subsolo que não teria sido prevista no projeto original. Haddad chamou a restrição de acesso aos documentos de “ilegal” e cobrou transparência sobre a justificativa do custo adicional.

A controvérsia atinge uma das obras de mobilidade mais relevantes de São Paulo. A Linha 6-Laranja foi planejada para ligar a Brasilândia, na zona norte, à região central da cidade, com conexão a áreas de grande circulação, como Higienópolis-Mackenzie. Por envolver contrato de alto valor e impacto direto no transporte público, o sigilo de documentos reduz a capacidade de fiscalização por órgãos de controle, parlamentares e cidadãos.

Linha 6 vira vitrine da disputa por transparência

A Linha 6-Laranja carrega um histórico de atrasos, mudanças contratuais e retomada de obras após a falência da OAS, antiga responsável pelo projeto. A concessão passou a envolver a Linha Uni, concessionária encarregada da execução. No governo Tarcísio, a obra ganhou peso político por combinar promessa de entrega de infraestrutura com questionamentos sobre aditivos, riscos contratuais e acesso público às informações.

Na prática, a discussão não se limita ao termo técnico usado para explicar o acréscimo. O debate central é se documentos que ajudam a explicar uma despesa bilionária em uma obra pública podem ficar fora do alcance do escrutínio público por um século. A base legal específica para esse prazo e a justificativa administrativa detalhada da restrição não foram apresentadas publicamente de forma suficiente para encerrar a controvérsia.

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Ao levar o tema ao evento, Haddad buscou enquadrar o caso como exemplo de falta de transparência na gestão estadual. A crítica também mira a forma como Tarcísio conduz concessões e privatizações, um dos principais eixos de sua administração em São Paulo.

Privatizações ampliam confronto entre Haddad e Tarcísio

No mesmo ambiente, Haddad atacou a privatização da Sabesp e disse que a companhia foi vendida em uma “mesa de amigos”. A declaração reforçou a estratégia do petista de associar o governo Tarcísio a contratos que, segundo ele, exigem maior controle público.

Tarcísio, por sua vez, defendeu a agenda de privatizações e afirmou que seu compromisso é com o Estado. O governador sustenta que a transferência de ativos e concessões busca melhorar serviços públicos, atrair investimentos e acelerar entregas em áreas como saneamento, transporte e infraestrutura.

A troca de críticas ocorre em um momento de rearranjo eleitoral em São Paulo. Haddad aparece como nome central do PT para a disputa estadual, enquanto Tarcísio tenta consolidar sua imagem de gestor apoiado em concessões, privatizações e obras de grande porte. Nesse cenário, a Linha 6-Laranja deixou de ser apenas uma obra do metrô e passou a funcionar como teste político sobre transparência em contratos públicos.

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Cobrança agora recai sobre justificativa do sigilo

O governo paulista ainda não apresentou uma resposta pública direta à crítica de Haddad sobre o sigilo de 100 anos nos documentos da Linha 6-Laranja. Também não há manifestação pública conclusiva de órgãos de controle sobre a validade do prazo aplicado ao caso.

A consequência imediata é política e administrativa: a pressão passa a recair sobre a divulgação do ato que fundamentou a restrição, da justificativa para o prazo de 100 anos e dos elementos técnicos usados para sustentar o acréscimo de R$ 3,7 bilhões. Sem essas informações em linguagem acessível e com base legal clara, o contrato seguirá como foco de disputa entre o governo estadual e seus adversários.