segunda-feira, junho 8
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Tecnologia e Inovação

OpenAI e Google entram nas redes secretas do Pentágono e uma empresa ficou de fora

OpenAI e Google entram nas redes ultrassecretas do Exército americano; Anthropic é classificada como risco de cadeia de suprimentos

· 3 min de leitura · Por Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Pentágono firma acordos com 8 empresas de IA (OpenAI, Google, Nvidia, Microsoft, AWS, SpaceX, Oracle) para redes secretas IL6 e IL7
  • Anthropic fica de fora após impasse sobre guardrails de armas autônomas e vigilância
  • OpenAI lista 3 linhas vermelhas: sem vigilância em massa, sem direcionar armas autônomas, sem decisões automatizadas de alto risco
  • IL6 e IL7 são os mais altos níveis de sigilo do governo americano — usados em operações de combate real
  • Exclusão do Claude tem impacto comercial direto: sem presença nas redes militares, o modelo não existe para aquele ambiente

O Departamento de Guerra dos Estados Unidos formalizou em maio acordos com oito empresas de inteligência artificial para rodar modelos dentro das redes classificadas de mais alto nível do país — o Impact Level 6 (IL6) e o Impact Level 7 (IL7), reservados para informações ultrassecretas e operações de defesa nacional. Entre as signatárias estão OpenAI, Google, Nvidia, Microsoft, AWS, SpaceX e Oracle. Uma empresa ficou de fora: a Anthropic.

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O que são as redes IL6 e IL7 — e por que isso importa

As classificações IL6 e IL7 correspondem aos níveis mais altos de sigilo nas redes do governo americano. IL6 abriga dados secretos e ultrassecretos; IL7 vai além, cobrindo as chamadas “Controlled Unclassified Information” em ambientes operacionais ativos — o tipo de rede usada em situações de conflito real. Ter acesso a essas redes significa que os modelos de IA podem ser usados para síntese de dados de inteligência, análise de situação de campo e suporte a decisões militares em tempo real.

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O comunicado do Pentágono descreveu as capacidades autorizadas em termos genéricos: “agilizar a síntese de dados, elevar o entendimento situacional e aumentar a capacidade decisória do combatente em ambientes operacionais complexos”.

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O que está proibido — segundo a OpenAI

A OpenAI publicou um documento listando três linhas vermelhas que regem o uso de seus modelos pelo Pentágono: nenhum uso para vigilância doméstica em massa; nenhum uso para direcionar sistemas de armas autônomas; nenhum uso para decisões automatizadas de alto risco sem supervisão humana. A empresa afirma que esses limites estão contratualmente estabelecidos.

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Por que a Anthropic ficou de fora

A Anthropic — criadora do Claude — foi a única grande empresa de IA a não assinar os acordos. Segundo reportagens, as negociações travaram justamente nos guardrails: a empresa exigiu restrições mais estritas do que o Pentágono estava disposto a aceitar em relação a vigilância e sistemas autônomos. Há ainda um dado político relevante: o Departamento de Defesa havia classificado a Anthropic como “risco de cadeia de suprimentos” no início do ano, o que complicou ainda mais as tratativas.

A exclusão tem consequências comerciais diretas. O Pentágono é um dos maiores compradores de tecnologia do mundo — e, ao contrário do ambiente corporativo, nos sistemas militares não há escolha de fornecedor pelo usuário final. Se o Claude não está nas redes classificadas, ele simplesmente não existe para aquele ambiente.

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A corrida armamentista de IA

Os acordos refletem uma aceleração da integração entre IA civil e capacidade militar que já vinha sendo sinalizada desde 2023. China e Estados Unidos travam uma disputa paralela pelo desenvolvimento de modelos de uso dual — com aplicações tanto civis quanto militares. A entrada de SpaceX (que opera o Starlink, usado ativamente em zonas de conflito) e de gigantes de nuvem como AWS e Azure nessa lista aprofunda a fusão entre a infraestrutura tecnológica comercial e a máquina de defesa americana.

Para o Brasil, o cenário tem implicações diplomáticas: o país utiliza infraestrutura de empresas presentes nessa lista — e qualquer dado que trafegue por esses sistemas pode, em tese, estar ao alcance de análise via modelos agora integrados às redes de inteligência americanas.

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