sábado, junho 6
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Brasil

EUA tornam PCC e Comando Vermelho organizações terroristas

Flávio Bolsonaro reivindica pedido feito a Trump, mas publicação americana não estabelece relação direta entre encontro e decisão.

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Medida foi formalizada no Federal Register nesta sexta-feira, em Washington.
  • Flávio Bolsonaro diz ter levado o tema a Trump em encontro de 26 de maio.
  • Documento oficial não vincula a decisão americana ao pedido do senador.
  • Classificação permite sanções financeiras e restrições a apoio material nos EUA.
  • Enquadramento não vale automaticamente no direito brasileiro.

Os Estados Unidos oficializaram nesta sexta-feira (5), em Washington, a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

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A medida foi publicada no Federal Register, etapa que torna formal a inclusão das duas facções brasileiras na lista americana de FTO. O senador Flávio Bolsonaro afirmou ter tratado do tema com Donald Trump em 26 de maio e declarou: “Nós agimos e agora PCC e CV são organizações terroristas”.

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A publicação oficial confirma a designação nos Estados Unidos, mas não estabelece que a decisão decorreu do pedido do senador. Também não transforma automaticamente PCC e Comando Vermelho em organizações terroristas no direito brasileiro, ponto que dependeria de ato das autoridades competentes no Brasil.

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Classificação americana mira ativos e investigações

PCC e Comando Vermelho são apontados como as maiores organizações criminosas do Brasil. Com a classificação como FTO, passam a ser tratados, perante a lei americana, no mesmo patamar de cartéis mexicanos como Sinaloa e Jalisco, com possibilidade de sanções financeiras mais severas e restrições a apoio material.

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A linha do tempo da decisão começou com o encontro de Flávio Bolsonaro com Trump, em Washington, em 26 de maio. Três dias depois, em 29 de maio, os Estados Unidos anunciaram a inclusão das facções na lista. A formalização saiu nesta sexta, com a publicação no Federal Register.

A medida tem reflexos potenciais em cooperação internacional, bloqueio de ativos e investigações sobre redes financeiras ligadas ao crime organizado. O PIRANOT já havia mostrado que Marco Rubio citou a presença das facções nos Estados Unidos ao defender a classificação americana.

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O Comando Vermelho atua em 23 estados e tem estimativa de 30 mil membros. No Rio de Janeiro, a facção foi associada a cobranças de R$ 300 por mês em condomínios, com faturamento estimado de R$ 240 mil mensais nessa modalidade de intimidação local.

A aprovação da medida entre brasileiros chegou a 53,1%, segundo pesquisa AtlasIntel. O dado ajuda a explicar o peso político da pauta, mas não substitui os atos formais necessários para qualquer mudança de enquadramento jurídico dentro do Brasil.

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Aplicação depende de atos oficiais no Brasil e nos EUA

Nos Estados Unidos, a próxima etapa é a aplicação prática da designação por órgãos responsáveis por sanções, investigações e cooperação internacional. Autoridades americanas também descartaram ação militar como consequência direta da classificação, conforme entrevista publicada nesta sexta.

No Brasil, não há ato oficial informado no material disponível que mude o enquadramento jurídico das facções para terrorismo. A posição do governo Lula sobre a classificação americana também não foi apresentada oficialmente na apuração.

O ponto central, agora, é separar efeito jurídico de disputa política. A classificação como FTO já vale nos Estados Unidos; a adoção de medida equivalente no Brasil dependeria de manifestação formal de órgãos competentes, como governo federal, Ministério da Justiça, Polícia Federal, Ministério Público ou Judiciário.


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