sexta-feira, junho 5
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Saúde

Estudo aponta: 1 em cada 4 brasileiros ignora prevenção do câncer

Levantamento citado pela Agência Brasil indica lacuna de informação e recoloca a prevenção no debate de saúde.

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Prevenção envolve informação clara, orientação de saúde e rastreamento quando indicado.
  • Divulgações não detalham amostra, período de coleta, margem de erro ou recortes sociais.
  • A falta de metodologia completa limita a identificação dos grupos mais desinformados.
  • Medidas preventivas reduzem riscos, mas não tornam todos os casos evitáveis.

Um em cada quatro adultos brasileiros não sabe que o câncer pode ser prevenido — e 61% acreditam, sem embasamento científico, que suplementos vitamínicos reduzem o risco da doença. Os dados são do estudo “Mais Dados Mais Saúde: percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer”, divulgado em 3 de junho de 2026. O levantamento ouviu 6.566 pessoas em todos os estados e no Distrito Federal entre setembro e outubro de 2025 e é o primeiro de abrangência nacional com esse recorte.

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A pesquisa foi conduzida pelas organizações Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O índice de 27% de desconhecimento sobre a prevenibilidade do câncer ganha peso diante da projeção do INCA: o Brasil deve registrar 781 mil novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028 — e a estimativa institucional é que até 40% desses casos seriam evitáveis com mudanças de hábito e diagnóstico precoce.

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O estudo também mapeia o que os brasileiros reconhecem — e o que ignoram — como fator de risco. Fumo é o campeão de consciência: 90,5% o identificam como causador de câncer. Herança genética aparece em segundo lugar (89,4%) e exposição solar excessiva em terceiro (88,3%). A lista, porém, desaba quando chega a hábitos do cotidiano: apenas 48,3% entendem o sedentarismo como fator de risco; 27,5% associam carne vermelha à doença. Entre os jovens de até 24 anos, o cenário é ainda mais preocupante — 49,1% consomem carne vermelha sem qualquer intenção de reduzir, e 32,3% dizem o mesmo sobre ultraprocessados.

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A renda divide o nível de consciência. Entre os que ganham até R$ 2 mil por mês, 45,5% reconhecem o sedentarismo como fator de risco; entre os que recebem acima de R$ 10 mil, esse índice sobe para 59,6%. A disparidade se aprofunda nos comportamentos: apenas 22,9% dos brasileiros com renda abaixo de R$ 2 mil tomam alguma ação relacionada ao controle do peso, contra mais de 40% na faixa acima de R$ 3 mil. A pesquisa não divulgou margem de erro formal, mas a amostra de 6.566 entrevistados distribuídos por todos os estados representa um dos maiores esforços de sondagem sobre o tema já feitos no país.

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O conjunto de dados aponta para um gargalo de comunicação em saúde pública. Saber que existe risco não equivale a agir: 52,2% dos entrevistados declararam praticar atividade física, mas 39% disseram que “querem começar a se exercitar” — o que sugere que a intenção de mudança supera a ação concreta para quase dois em cada cinco brasileiros. Para o INCA, o mapeamento fornece uma base inédita para políticas de prevenção direcionadas por território, faixa etária e nível de renda — algo que campanhas genéricas de conscientização raramente conseguem alcançar.


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