A Airbus concluiu em Toulouse, na França, o primeiro voo de teste do A350-1000ULR encomendado pela Qantas, modelo desenhado para operar rotas comerciais de até 22 horas sem escala. A decolagem inaugural durou 3h43min e atingiu 41 mil pés (cerca de 12,5 mil metros), patamar usado para validar a configuração de combustível e o desempenho em altitude.
A aeronave, identificada pelo número de série MSN 707, foi projetada para alcançar 10 mil milhas náuticas, o equivalente a 18,5 mil quilômetros, com tanques adicionais que acrescentam 20 mil litros de combustível ao A350-1000 padrão. O ensaio em Toulouse é a primeira etapa da campanha de certificação que antecede a entrega à companhia australiana.
A data exata do voo permanece em aberto: parte da cobertura registra 1º de junho e parte aponta 2 de junho, divergência compatível com fuso horário ou atualização editorial. Até a publicação desta reportagem, não havia comunicado oficial localizado da Airbus ou da Qantas detalhando o cronograma do teste nem a previsão de entrada em operação comercial.
Project Sunrise mira rotas sem escala da Austrália ao mundo
O A350-1000ULR é a espinha dorsal do Project Sunrise, plano da Qantas para ligar a Austrália diretamente a destinos como Londres, Nova York e, segundo cobertura especializada, São Paulo. A proposta é eliminar conexões em viagens transcontinentais, com trechos que podem ultrapassar 20 horas de voo contínuo.
A Airbus já havia desenvolvido uma versão ULR do A350 para a Singapore Airlines em 2018, hoje usada em rotas entre Cingapura e Nova York. O novo modelo amplia esse alcance e responde à demanda por aeronaves capazes de cruzar o Pacífico e o Índico sem parada técnica, segmento em que a fabricante europeia compete diretamente com a Boeing.
Para o Brasil, o destaque é a possibilidade de uma ligação direta Sydney-São Paulo, citada como destino projetado para a frota ultralonga da Qantas. A rota, se confirmada, encurtaria em horas a travessia entre América do Sul e Oceania, hoje feita com escala na Austrália, Oriente Médio ou África do Sul. O anúncio formal da operação, porém, ainda não foi divulgado.
Combustível e calendário comercial seguem como pontos abertos
O custo do combustível continua decisivo para a viabilidade de rotas ultralongas. Com o petróleo cotado a US$ 97 o barril em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz, a margem dessas operações depende da eficiência do A350-1000ULR e do preço do querosene de aviação no momento da entrada em serviço.
A próxima etapa é o avanço da campanha de testes, que deve incluir ensaios de longa duração antes da certificação. Três pontos seguem sem confirmação oficial: a data precisa do voo inaugural, o cronograma de entrega à Qantas e a estreia comercial das rotas do Project Sunrise. Enquanto a Airbus e a companhia australiana não publicarem comunicado próprio, esses dados permanecem como lacuna documentada da cobertura disponível.











