Astrônomos identificaram pela primeira vez evidências robustas de campos magnéticos em sete exoplanetas gigantes, em estudo publicado na Nature Astronomy nesta terça-feira (2). A detecção, feita com telescópios no Chile e no Havaí, derruba um obstáculo técnico que mantinha o magnetismo planetário restrito ao Sistema Solar.
O trabalho é liderado por Julia Seidel, do Observatoire de la Côte d’Azur, na França, à frente de uma equipe internacional. Os alvos pertencem à classe dos Júpiteres quentes, gigantes gasosos em órbitas muito próximas de suas estrelas-hospedeiras.
O material disponível não detalha os nomes dos sete planetas observados nem a intensidade numérica dos campos magnéticos detectados. Os autores tratam o resultado como evidência robusta, e não como medição fechada de cada alvo.
Magnetismo deixa de ser exclusividade do Sistema Solar
Campos magnéticos planetários são mapeados desde as missões Voyager, nas décadas de 1970 e 1980. Terra, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno têm campos significativos; Marte e Vênus apresentam campos muito fracos ou inexistentes. Até agora, nenhum planeta fora desse conjunto tinha medição equivalente.
A novidade do estudo é estender essa observação a planetas em outras estrelas. A classe dos Júpiteres quentes voltou ao centro do debate em maio, quando astrônomos descreveram o exoplaneta WASP-94A b, com manhãs nubladas e tardes sem nuvens, num retrato do clima extremo dessas órbitas curtas.
O resultado se soma ao universo de 6 mil exoplanetas confirmados anunciado pela Nasa em setembro de 2025. Nesse conjunto, a presença de magnetismo em sete gigantes gasosos abre uma nova frente para comparar atmosfera, perda de massa e interação com a estrela em mundos muito próximos do seu sol.
O que ainda falta sobre os sete planetas
O passo verificável agora é a divulgação dos parâmetros técnicos planeta a planeta: nomes dos sete alvos, intensidade dos campos detectados e os instrumentos específicos usados no Chile e no Havaí. O material consultado também não cita participação de instituições brasileiras na pesquisa.
No Brasil, o tema dialoga com centros de astrofísica que estudam exoplanetas, como o Observatório Nacional, vinculado ao MCTI. A próxima etapa de avaliação independente passa pela leitura completa do artigo da Nature Astronomy e por replicações com outras campanhas observacionais.










